13 December
Citarabina como tratamento para o cancro
O que é um tumor?
Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células. No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células.
Algumas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite (proliferação descontrolada) , as células velhas não morrem (diminuição da apoptose) e as novas células formadas permanecem indiferenciadas. Este conjunto de células extra forma um tumor.
Porque se desenvolve?
Quase todos os tumores são causados por anomalias no material genético das células. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de carcinógeneos, como o tabagismo, radiação, substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do DNA, ou são herdadas, e consequentemente encontra-se em todas as células desde o nascimento, o que faz com que o individuo tenha maior predisposição de vir a desenvolver um tumor.
Quais as diferenças entre um tumor maligno (cancro propriamente dito) e um tumor benigno?
Quando a massa de células extra permanece no seu local de origem trata-se de um tumor benigno; as células ficam como que envolvidas por uma membrana que impede que se alastrem e que se desenvolvam rapidamente. Assim, a formação de um tumor benigno também se deve à proliferação anómala de algumas células de um tecido, mas estas mantêm características semelhantes às originais e não se reproduzem com a mesma velocidade e intensidade do que as que constituem um tumor maligno.
Para além se se expandirem muito rapidamente a nível local as células dos tumores malignos têm a capacidade de se introduzir nos vasos linfáticos e sanguíneos, chegando a pontos mais ou menos distantes do foco primitivo, onde se instalam e reproduzem novos tumores semelhantes ao original, as chamadas metásteses.
Assim a principal diferença entre um tumor maligno e benigno é a sua capacidade de metastização (de se alastrar pelo organismo).

06 December
Bactérias que despoluem terrenos contaminados
O tratamento de terrenos contaminados com compostos orgânicos e metais pesados - como antigas bombas de gasolina - pode tornar-se mais fácil e económico graças aos resultados obtidos por um grupo de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), num projecto envolvendo bactérias. O trabalho ainda se encontra numa fase laboratorial, mas os resultados "são bastante promissores", dizem os os responsáveis da equipa. De tal forma que até já há quem queria testar o projecto no terreno, garantem, sem adiantar pormenores.

Cristina Delerue-Matos, responsável do Grupo de Reacção e Análises Químicas (GRAQ) do ISEP, explica que "o projecto começou com uma investigação do professor Paolo De Marco, que já estava a estudar o trabalho das bactérias na limpeza de solos contaminados". "No decurso da experiência isolou algumas bactérias que tinham demonstrado maior resistência à presença de metais pesados", explica esta investigadora.
É que um dos principais obstáculos na remediação de solos contaminados com o recurso a bactérias é precisamente a sua grande sensibilidade à presença de metais pesados, mais tóxicos para elas, e que acabam por reduzir significativamente a sua actividade.
Embora, normalmente, em ambiente de laboratório, as bactérias apresentem bons resultados ao nível da recuperação dos solos, já no terreno surgem por vezes resultados não tão positivos. Isto apesar de a nível mundial já ser frequente o recurso à remediação de solos através de processos biológicos, até pelo facto de estes envolverem baixos custos.
No trabalho levado a cabo pelos investigadores do GRAQ, e que foi realizado em parceria como o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), procurou-se perceber "até que ponto era possível degradar compostos orgânicos dos solos na presença de metais pesados", explica Cristina Delerue-Matos.
Para isso foram usadas bactérias dos conjuntos Methylobacterium (estirpes PM1, Mi1 e F5.4) e Methylophilus (estirpe Ehg7), que, no trabalho de Paolo De Marco, se mostraram mais resistentes aos metais pesados (ver texto ao lado).
Além disso, na investigação, foram igualmente usados dois compostos orgânicos que, habitualmente, aparecem mais em solos contaminados com gasolinas ou solventes de metais: o tricloroetileno (TCE) e o éter terc-butil metílico (MTBE).
De acordo com os investigadores, os resultados alcançados são promissores, uma vez que, nos solos contaminados, as bactérias mantiveram a sua capacidade de degradação desses compostos orgânicos.

Cristina Delerue-Matos refere ainda que esta técnica de biorremediação dos solos, "além de ser mais eficiente e económica", poderá degradar eficazmente o poluente e, deste modo, tornar o terreno, após tratamento, reutilizável para diversos fins e com custos mais reduzidos quando comparados com tecnologias alternativas.
Por norma, explica, "em solos contaminados com gasolina é usual utilizar a técnica de extracção de vapor, que cria correntes de ar nos solos e que, deste modo, permite a remoção dos vapores tóxicos do solo". Uma técnica que, naturalmente, implica um esforço financeiro muito menor.
Maria Belo
Nº 21
11ºB
Primeiro bebé clonado pode nascer em dois anos
O controverso médico norte-americano Panayiotis Zavos, que se dedica à clonagem humana, garante já ter conseguido criar 14 embriões e até implantado 11 em quatro mulheres. Está, por isso, confiante que o nascimento do primeiro bebé será em breve. Zavos é procurado por casais inférteis, mas também por pais que querem clonar os filhos mortos.
O primeiro bebé clonado pode nascer dentro de dois anos. Pelo menos foi isso que Peter Williams, autor de um documentário sobre o trabalho do polémico médico Panayiotis Zavos, disse à Sky News Online. "O Dr. Zavos registou um crescimento vigoroso em 30 células embrionárias antes de as transferir para o útero e é por isso que ele está optimista quanto ao nascimento do primeiro bebé clonado dentro de dois anos", conta Peter Williams.
O autor do documentário sobre o trabalho de clonagem do controverso especialista garante ainda que o projecto já atingiu uma fase avançada e que esta pode vir a ser uma "forma viável de tratamento para a infertilidade". Panayiotis Zavos, desprezado por grande parte da comunidade científica pelo seu comportamento ético, trabalha actualmente num laboratório secreto, que se pensa estar localizado algures no Médio Oriente, num país onde a tentativa de criação de um ser humano geneticamente idêntico a outro não seja proibida.
O especialista, já terá implantado embriões clonados em quatro mulheres, uma delas britânica. Zavos garante ainda que mais de 100 casais já o procuraram para terem um bebé clonado.
A técnica usada por Panayiotis Zavos é a mais comum e permite criar cópias genéticas dos pais, usando apenas o óvulo vazio da mãe. Além dos casais que querem vencer a infertilidade, o especialista também trabalha com as células de pessoas que já morreram. Um desses casos é Cady, uma criança norte-americana vítima de um acidente de carro, aos dez anos. As suas células sanguíneas foram congeladas e enviadas a Zavos pela mãe. O embrião clone de Cady foi feito com o recurso a um óvulos de vaca. Este híbrido de humano e animal não foi transferido para nenhum útero, mas o médico acredita que estas células podiam dar origem a um clone perfeito de Cady.

No entanto, a classe científica já reagiu aos supostos avanços de Zavos. Josephine Quintavalle, fundadora do Conselho para a Ética da Reprodução, aconselha os cientistas a pensarem nos interesses da criança que vai nascer. "Temos de perguntar porque é que as pessoas querem um clone - é fisicamente perigoso", alerta a cientista, citada pela Sky News Online. De facto, o risco de malformações congénitas graves é um dos principais entraves à técnica.
Mas as questões éticas são provavelmente mais fortes do que as científicas. "Colocar sobre uma criança que vai nascer a carga de alguém que morreu e que estamos a tentar substituir é privar essa criança da sua singularidade", critica Quintavalle. As tentativas de clonagem humana começaram após a criação da ovelha Dolly.

Manuel Castel-Branco nº 17 11ºB
21 November

Cientistas estão próximos de recriar a origem da vida em laboratório
Uma dupla americana produziu duas moléculas capazes de se auto-replicar;
Ambas são feitas de RNA, substância que é tida como sendo originária do DNA.
A origem da vida
Recriar a origem da vida em laboratório é um dos maiores desafios da ciência. Mais do que a complexidade dos processos envolvidos, o maior obstáculo é a falta de tempo, os cientistas não dispõem de vários milhares ou até milhões de anos na bancada para esperar que tudo aconteça diante dos seus olhos. Desta forma, todo o processo precisa de ser recriado em partes. E a que pode ser a mais importante delas acaba de ser produzida por uma dupla de cientistas americanos.
Tracey Lincoln e Gerald Joyce, do Instituto de Pesquisa Scripps, em La Jolla, na Califórnia, conseguiram ensaiar os primeiros passos a que os cientistas chamam de "mundo de RNA". Eles produziram moléculas extremamente simples que são capazes de se replicar e expressar um código genético rudimentar. Os seus sucessos foram reportados on-line pelo jornal científico americano "Science". 
O problema do surgimento da vida é um dos mais intratáveis do ponto de vista científico. Além da já referida falta de tempo dos cientistas para conduzir as experiências, há também, um dilema adicional: as criaturas actuais fazem emergir a velha dúvida, "quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?", em versão biomolecular.
Eis a questão: todos os seres vivos conhecidos até hoje têm, de um lado, uma molécula específica para guardar as suas informações genéticas, trata-se do famoso DNA, uma espécie de "manual de instruções" para a construção e o metabolismo de um indivíduo vivo. De outro lado, as estruturas e ocorrências que se dão no interior desse indivíduo são propiciadas pelas proteínas, moléculas complexas em geral, construídas a partir do código armazenado no DNA (através da síntese proteica).
Ocorre que é improvável que esses dois factos tenham surgido individualmente e ao mesmo tempo tenham depois se reunido para formar a primeira criatura viva. Alguma estratégia, mais simples, deve ter sido precursora do actual "formato" da vida na Terra.
"Mundo de RNA"
Há uma molécula que, hoje em dia, serve para funções "subalternas" nas células. É o RNA molécula que, actualmente, serve (por exemplo) para transportar a informação contida no DNA, localizado no núcleo da célula, até aos ribossomas, posicionados fora do núcleo.
Mas os cientistas observaram que, em dadas circunstâncias, o RNA pode fazer mais que ser a molécula transportadora da informação genética. Às vezes, ele também pode agir directamente no metabolismo, "actuando" de forma similar às proteínas. Eis então, pensaram os biólogos, a estratégia mais simples para o início da vida: tudo teria começado com o RNA, realizando a árdua tarefa de "fazer-tudo".
É justamente este modelo que acaba de ganhar uma força imensa, directamente da bancada de Lincoln e Joyce. A dupla criou duas pequenas moléculas de RNA que, em parceria, promovem a sua própria replicação. Sendo necessário neste processo: "Enzimas de RNA de replicação cruzada que passam por amplificação exponencial auto-sustentada na ausência de proteínas e outros materiais biológicos", descrevem os cientistas em seu artigo na "Science". Eles apontam que o conjunto de RNA auto-replicantes duplica, aproximadamente, a cada hora. E continuam, indefinidamente, se os recursos que necessitam estejam disponíveis em seu redor.
Evolução em andamento
Outra questão que os cientistas americanos conseguiram observar foi a selecção natural*, tal qual descrita por Charles Darwin, em franca operação.
Várias versões diferentes das moléculas de RNA auto-replicantes foram produzidas e colocadas no mesmo substrato. Após gerações de "reprodução", os cientistas notaram que algumas delas saíram "vencedoras" e dominaram completamente a disputa por recursos. Com isso, ficou demonstrado também que, além do papel na replicação, as fitas de RNA também tinham papel como um sistema genético, que podia ser submetido à selecção natural.
Conclusão

A realização desta experiência laboratorial é, sem dúvida, um passo importante para explicar como a vida pode ter surgido e se apoderado dos recursos da Terra acerca de 4 bilhões de anos atrás. Mas é a solução do mistério?
Claro que não. De um lado, ainda fica o enigma de como essas fitas de RNA auto-replicantes poderiam ter aparecido, a partir da chamada "sopa primordial" de compostos orgânicos existentes na Terra primitiva.
Na outra ponta, ainda resta explicar como essas precursoras da vida em forma de RNA evoluíram para ganhar tantas estruturas e complexidade, como um sistema genético com DNA e proteínas altamente sofisticadas estando na base do metabolismo das células.
* selecção natural é um processo da evolução proposto por Charles Darwin e aceito pela comunidade científica como a melhor explicação para a adaptação e especialização dos seres vivos.
Sílvia Serrano nº25 11ºB
15 November
Criopreservação
Finalmente uma solução para todos os males do corpo humano?
Hoje em dia reparamos que temas como "células estaminais" e "sangue do cordão umbilical" começam a estar cada vez mais presentes no nosso quotidiano. E relacionado com estes assuntos surge o conceito de criopreservação. Mas afinal em que é que esta consiste e para que serve? Para responder a esta questão torna-se útil clarificar em primeiro lugar os temas referidos.
O que são células estaminais?
As células estaminais são células indiferenciadas que estão presentes em todas as fases de desenvolvimento de um ser vivo, desde o embrião ao seu estado adulto e, por isso, possuem a capacidade de se diferenciar (isto é, de se poderem transformar em diversos tipos de outras células que constituem o organismo), de se auto-renovar e de se dividir indefinidamente (no tempo). No entanto, as células estaminais obtidas nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário, a partir da massa interna do blastocisto (segundo estado de desenvolvimento do embrião dos animais e fase em que ocorre a nidação), sendo totipotentes, conseguem gerar um ser vivo na sua totalidade (têm maior potencial de diferenciação).

Fig.1 - embrião humano (célula totipotente)
No organismo adulto também se encontram células estaminais em diferentes órgãos e tecidos (desde a medula óssea ao sangue do cordão umbilical), embora estas já apresentem uma certa diferenciação consoante o órgão que constituem. Porém, está provado que, comparativamente ao transplante de células estaminais provenientes da medula óssea, o transplante das células oriundas do sangue do cordão umbilical possui mais vantagens, já que:
- O método de recolha é indolor e não invasivo;
- Não apresenta riscos para o dador;
- Comporta menor risco de infecção;
- A acessibilidade do transplante é mais fácil;
- A incidência de doença do transplante contra o hospedeiro é de 10% (enquanto na medula óssea é de 60%);
- Os custos associados são significativamente menores;
- A probabilidade de encontrar dador disponível é maior.
Qual é o objectivo da criopreservação?
O objectivo da criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical é permitir que estas estejam disponíveis no futuro, para que possam ser utilizadas quando necessário.
Quais as vantagens de criopreservar as células do do sangue do cordão umbilical do bebé?
O sangue do cordão umbilical constitui uma valiosa fonte de células estaminais pluripotentes (células que apresentam um potencial de diferenciação elevado mas inferior ao potencial de diferenciação de células totipotentes). Estas, recebendo neste caso a designação de células hematopoiéticas, apresentam uma grande capacidade de proliferação e expansão, podendo diferenciar-se nos diferentes tipos de células do sistema hematológico e imunológico. Podem diferenciar-se igualmente em progenitores mielóides, que por sua vez, dão origem aos elementos celulares do sangue, como os eritrócitos e as plaquetas (Fig. 2).
No entanto, o sangue do cordão umbilical não possui apenas células estaminais hematopoiéticas. Tal como a medula óssea, possui células estaminais mesenquimais, com capacidade de se diferenciarem em linhagens mesodérmicas e dar origem a tecidos do osso ou de cartilagem. As células do sangue do cordão umbilical podem ainda diferenciar-se em células estaminais somáticas não restritas. Estas células, com elevado potencial proliferativo, têm a capacidade de se diferenciar em várias linhagens celulares, podendo originar células neuronais (Fig. 3), ósseas, sanguíneas, hepáticas e cardíacas. Adicionalmente, o sangue do cordão umbilical contém células progenitoras endoteliais, que se podem diferenciar em células vasculares, as quais são responsáveis pela formação de novos vasos sanguíneos, podendo ser utilizadas na recuperação de danos vasculares que ocorrem em inúmeras patologias.


Fig. 2 e 3 - exemplos de células diferenciadas resultantes da diferenciação das células estaminais do sangue do cordão umbilical
São várias as aplicações das células estaminais que podem contribuir para uma diminuição da morbilidade e até da mortalidade dos dadores e dos seus familiares através de transplantes autólogos (do próprio para o próprio) e heterólogos (do próprio para outros que sejam compatíveis). Em resumo, podemos destacar as seguintes vantagens fundamentais:
a) Protecção para o bebé: se o bebé necessitar das células previamente recolhidas não existe possibilidade de rejeição, sendo estas 100% compatíveis com o próprio dador.
b) Protecção para a família: a probabilidade das células do bebé serem compatíveis com familiares directos é bastante elevada.
c) Disponibilidade imediata em caso de necessidade de utilização das células.
d) Método de recolha simples e completamente indolor para a mãe e bebé.
Que aplicações terapêuticas estão relacionadas com a criopreservação?
Já se conhecem vários casos clínicos de sucesso em que se utilizaram células do cordão umbilical para tratamentos. Estudos feitos em diversos contextos (em que o dador e receptor são a mesma pessoa, ou o dador e receptor são pessoas diferentes ou em contexto experimental) demonstraram a sua eficácia para uma grande diversidade de anemias, síndromas e deficiências, encontrando-se actualmente em investigação a possibilidade da sua aplicação para o tratamento de doenças como Esclerose Múltipla, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Artrite Reumatóide e Diabetes.
Quais as empresas que se dedicam à criopreservação?
Actualmente existe uma grande variedade de boas empresas destinadas à criopreservação. Por exemplo, o projecto Birth & Babycare actua em parceria com a BebéVida e a Crioestaminal. Estas empresas, estando dotadas de profissionais especializados e qualificados, enquadrados num contexto de controlo e responsabilidade, asseguram os mais elevados índices de fiabilidade e desempenho técnico-científico da criopreservação em Portugal.
Para conhecer o funcionamento das empresas em Portugal que se dedicam à criopreservação, consulte os seguintes sites:
http://www.bioteca.pt/ (informação em português)
http://www.crioestaminal.pt/pt/ (informação em português)
O que fazer para poder guardar o sangue do cordão umbilical do bebé?
a) Solicite o Kit de recolha de sangue com algum tempo de antecedência (preferencialmente dois meses antes da data prevista para o parto), a uma das muitas empresas que existem no mercado. O Kit contém todo o material e informações necessárias para que a equipa de saúde que assiste o parto possa fazer a recolha do sangue do cordão umbilical do bebé. Certifique-se ainda que faz as análises exigidas (Hepatite B e C, HIV I e II, Sífilis-VDRL- e Citomegalovírus - IgG e IgM).
b) No dia do parto entregue o seu kit à equipa médica que o for a assistir e sempre que possível informe previamente o seu médico da intenção de recolher o sangue do cordão umbilical.
c) Após o parto, contacte a respectiva empresa transportadora para que possam ir buscar o sangue recolhido ao hospital. Até lá, este deverá ser mantido à temperatura ambiente.
Note-se que o sangue do cordão umbilical pode ser colhido para várias aplicações. Os bancos públicos de armazenamento de sangue do cordão podem recolhê-lo e utilizá-lo para a transplantação heteróloga. Porém, este pode também ser recolhido por bancos privados a pedido dos pais e financiado pelos mesmos, para uso da própria criança (transplantação autóloga), caso esta venha a necessitar. Contudo, em Portugal apenas existem bancos privados, ou seja, cabe a cada um apostar ou não neste investimento.
É ainda de salientar que existem algumas situações em que a colheita de células do sangue do cordão umbilical está contra-indicada, nomeadamente aquelas em que se encontram anomalias génicas ou cromossómicas no feto.
O que acontece ao sangue do cordão umbilical?
Após o transporte do sangue recolhido por uma empresa especializada para um laboratório, este é analisado e dá-se início ao processo de isolamento e criopreservação das células estaminais. As unidades ficarão congeladas em azoto líquido a -196º C, durante um mínimo de 20 anos (conservando a sua vitalidade). A partir deste momento, o beneficiário, nessa altura já adulto, terá que decidir se quer ou não prosseguir com o armazenamento. Se decidir fazê-lo terá que pagar uma taxa adicional pelo período adicional contratado.

Fig. 4 - esquema exemplificativo de vários processos de criopreservação
Quais as razões para o eventual insucesso da criopreservação?
Não é certo que a criopreservação seja sempre bem sucedida. Porventura, pode-se mesmo verificar um insucesso deste processo, por erros associados à recolha das células e até mesmo por variações das características do próprio cordão umbilical:
- Volume de sangue recolhido insuficiente;
- Processo de corte do cordão umbilical demasiado lento (quanto mais rápido este for, maior será o número de células recolhidas);
- Alterações no próprio tamanho do cordão umbilical.
Breve referência histórica
O estudo do sangue do cordão umbilical teve início em 1982. Nessa época, experiências laboratoriais efectuadas por Broxmeyer e Boyse sugeriam que o este material continha células estaminais hematopoiéticas que poderiam ser usados em processos de transplantação.
Em 1988, em Paris, Glukman e colaboradores realizaram o primeiro transplante de células estaminais do cordão umbilical numa criança com Anemia de Fanconi, tendo recorrido a uma reserva de sangue do cordão umbilical de um familiar, anteriormente recolhida e criopreservada. Os resultados foram um sucesso e a criança teve alta após cinco meses. Desde então inúmeros transplantes têm sido efectuados em diferentes regiões do mundo.
Em Portugal, o primeiro transplante realizado com uma amostra criopreservada num banco privado aconteceu em 2007 numa criança de 14 meses após o diagnóstico de Imunodeficiência Combinada Severa, recorrendo ao sangue do cordão umbilical do seu irmão, que os pais tinham guardado. O transplante foi realizado com sucesso.


Posso concluir dizendo que, pelas suas características, o sangue do cordão umbilical constitui uma fonte promissora para a terapia celular.
Pedro Faustino
nº23 11ºB
Recentemente, nas aulas de Biologia, falámos sobre a formação de cancros. Vamos tentar saber mais sobre este tema...
O que é o cancro?

A palavra cancro é utilizada genericamente para identificar um vasto conjunto de doenças: os tumores malignos.
Mas será que todos os tumores são cancros? Não; existem 2 tipos de tumores, os malignos e os benignos (neoplasia é também uma designação frequente para tumor)
Tumores Benignos:
- Não cancerosos;
- Têm um crescimento lento;
- São capsulados;
- Não invadem tecidos;
- Fáceis de remover cirurgicamente, dependendo apenas da sua localização;
Nota: Os tumores benignos se não forem tratados, e se atingirem um órgão vital, podem levar à morte.
Tumores Malignos:
- São Cancerosos;
- Têm células estruturalmente anormais;
- Têm um crescimento rápido;
- Invadem os tecidos envolventes e metastizam (disseminar ou espalhar para diferentes partes do organismo);
- São difíceis de remover cirurgicamente;
Existem três características das células malignas, que são:
- Anomalias Estruturais:
| Células Normais | Células Cancerosas |
| Têm um núcleo | 2 ou 3 núcleos |
| 46 cromossomas | Nº de cromossomas anormal |
| Membrana celular e citoesqueleto claramente bem definidos | Membrana celular e citoesqueleto pouco definido |
- Invasão de Tecidos:
As células cancerosas continuam a dividir-se, mesmo quando em contacto com outras células. Sem controlo, as células cancerosas invadem e destroem o tecido adjacente.
- Metástase:
É a capacidade de metastizar (passa para outro local do organismo) um local distante do organismo.
Por exemplo: um tumor pode começar a crescer num osso e espalhar-se para outro órgão, como os pulmões.
O tumor primitivo é onde as metástases se originaram. Os tumores primitivos libertam constantemente células para a corrente sanguínea (onde parte delas morrem, ou são neutralizadas, mas uma em cada dez mil células cancerosas consegue sobreviver). Uma vez alojada, e se estiverem reunidas as condições necessárias para que esta possa crescer, então irá originar um novo tumor
Tipos de cancro
A classificação do cancro baseia-se no tipo de tecido do qual o tumor deriva:
| Classe | Tecido de Origem | Exemplos |
| Carcinoma | Tecido epitelial | Cancros na pele, mama e pulmão |
| Adenocarcinoma | Tecido epitelial glandular | Cancro do rim |
| Sarcoma | Tecido Conjuntivo | Cancro do osso (osteosarcoma; sarcoma de Ewing) |
| Cancros hematológicos: Linfoma, Leucemia e Mieloma múltiplo | Tecido Linfático, sangue, medula óssea | Doença de Hodgkin Leucemia linfática aguda |
| Cancro do SNC | Cérebro, medula espinhal | Glioma, astrocitoma |
Como surge o cancro?
O cancro surge quando as células normais se transformam em células cancerosas ou malignas. Ou seja, adquirem a capacidade de se multiplicarem e invadirem os tecidos e outros órgãos.
A carcinogénese, o processo de transformação de uma célula normal em célula cancerosa, passa por diferentes fases. As substâncias responsáveis por esta transformação designam-se agentes carcinogéneos. São exemplos de carcinogéneos as radiações ultravioletas do sol, os agentes químicos do tabaco, etc.
Para que se desenvolva um cancro é necessário que, de forma cumulativa e continuada, se produzam alterações celulares durante um largo período de tempo, geralmente durante anos.
Como resultado, cresce o número de células que apresentam alterações de forma, tamanho e função e que possuem a capacidade de invadir outras partes do organismo.
Como é diagnosticado um cancro?
Um cancro pode ser suspeitado a partir de várias pistas: as queixas que o doente refere, a observação médica, diversos exames médicos (análises, TAC - tomografias axiais computorizadas e muitos outros – a definir consoante a circunstância) ou as achadas numa cirurgia.
Mas para confirmar o diagnóstico de um cancro é geralmente necessário uma amostra do tumor (biópsia). A análise dessa amostra permite determinar se a lesão é um cancro ou não. Este estudo dos tecidos (análise histológica) permite classificar e saber, na maioria dos casos, quais são os tecidos e as células das quais provém o tumor e quais são as características das mesmas.
Causas conhecidas e suspeitas de provocarem cancro
- Factores Ambientais
Podem ser classificados em:
- Factores Químicos;
- Radiações;
Qualquer destes tipos de radiações pode danificar o ADN.
Os factores químicos e as radiações podem originar:
- Factor Ambiental Mutagéneo: substância que danifica o ADN;
- Factor Ambiental Carcinogéneo: substância que danifica o ADN e provoca o cancro;
Exemplo:
Quem bebe álcool no dia-a-dia está a consumir um mutagéne.O fumo de um cigarro, pode levar ao cancro, visto que tem substâncias carcinogéneas.
Quem bebe álcool e fuma, o risco de contrair cancro torna-se maior.
- Vírus
Através de vários estudos demonstrou-se que os vírus podem provocar o cancro nos animais. Após esta conclusão os cientistas suspeitam que os vírus também podem provocar o cancro nos humanos.
O Vírus é uma pequena partícula do ADN envolvido por um invólucro proteico.
Os vírus, por outro lado, são geneticamente “mal comportados”. Envolvidos por uma camada protectora, o vírus desloca-se procurando células para as invadir. Uma vez dentro da célula, a camada protectora degrada-se e o ADN viral passa a comandar o mecanismo celular da produção de ADN. O vírus usa a célula para se multiplicar a si próprio.
Em muitos casos, a “invasão” (mais propriamente chamada infecção) pode causar ao humano uns dias de gripe…, uma infecção mais devastadora, é uma infecção pelo vírus da SIDA, podendo levar à morte.
OS VIRUS PODEM PROVOCAR CANCRO.
- Predisposição genética
Não podemos “herdar” cancro dos nossos pais do mesmo modo como herdamos a cor de olhos ou dos cabelos, mas podemos herdar características genéticas que podem predispor (preparar) o cancro. Esta predisposição pode significar que o seu ADN é mais susceptível aos mutageneos e aos carcinogeneos, aumentando a probabilidade de ocorrer mutação e transformação maligna.
A origem da nossa capacidade de falar poderá residir num único gene.
Geneticamente, somos muito parecidos com os chimpanzés. Mas há pelo menos uma coisa que nos distingue radicalmente desses nossos "primos": nós falamos e eles não.
Então como é que essa profunda transformação surgiu ao longo da evolução?
Os efeitos distintos de um gene nos macacos e nos humanos pode explicar a razão de nós falarmos e eles não. Pouco se sabe ainda sobre os mecanismos biológicos da emergência da fala. Mas resultados publicados na edição de amanhã da revista Nature por Dan Geschwind, da Universidade da Califórnia, e colegas, sugerem que ela se deverá, em parte, à evolução de um único gene, mais precisamente: o desenvolvimento da capacidade de falar nos seres humanos modernos, concluem os cientistas, terá começado com umas alterações num gene chamado FOXP2, surgidas depois de o nosso ramo evolutivo se ter separado do dos outros primatas.
Essas alterações no FOXP2, por sua vez, provocaram duas mudanças na proteína fabricada pelo gene, que terão desencadeado uma série de acontecimentos celulares no cérebro humano e levado ao desenvolvimento da fala.
Já se sabia que o FOXP2 estava envolvido nas capacidades linguísticas, porque no ser humano as mutações neste gene provocam perturbações da fala e da linguagem. Agora, os cientistas compararam o efeito das duas versões do gene - a "ancestral", dos chimpanzés, e a humana actual - em células humanas e em tecidos humanos e de chimpanzé. E descobriram que os efeitos de cada versão do gene são diferentes: a proteína FOXP2 humana, cuja função é activar certos genes cerebrais e desactivar outros, não apresenta o mesmo padrão de activação que a proteína dos chimpanzés. "Descobrimos que um número significativo dos genes-alvo [da proteína FOXP2] têm uma expressão diferente nos cérebros humano e de chimpanzé", diz Geschwind. "Não só as [duas versões] do [gene] FOXP2 são diferentes, como também funcionam de forma diferente. Os nossos resultados poderão permitir perceber por que os humanos nascem com os circuitos cerebrais necessários à fala e à linguagem, mas não os chimpanzés", salienta.

"Graças à identificação dos genes influenciados pelo FOXP2", diz Genevieve Konopka, co-autora, "temos um novo conjunto de ferramentas para estudar como a linguagem humana é regulada ao nível molecular."
O que poderá permitir, segundo o mesmo documento, perceber as perturbações da fala associadas ao autismo ou a esquizofrenia - e talvez, um dia, encontrar formas de as atenuar.
Diogo Gomes Ventura
Nº7 11ºB
31 October

As mutações são alterações permanentes na informação genética contida no DNA. Podem ocorrer em células germinativas ou em células somáticas. No caso das primeiras, as alterações são transmitidas á descendência, mas no caso das segundas, apenas são identificáveis no indivíduo.

As mutações podem ter um efeito benéfico, neutro ou prejudicial. Os efeitos benéficos conduzem á evolução das espécies, devido a uma melhor adaptação. Por vezes, das alterações não resulta um efeito nem positivo nem negativo, pois a alteração não é determinante para a sua função. No caso das alterações prejudiciais há uma incompatibilidade com o funcionamento normal, causando seres inadaptados ou mortes prematuras.
Tratemos agora de uma mutação em particular, o albinismo.
A palavra albinismo deriva do latim albus (branco) e refere-se à incapacidade de um indivíduo ou animal de fabricar um pigmento denominado melanina (do grego melan, negro), que dá cor à pele e protege da radiação ultravioleta do Sol.
O Albinismo é uma mutação genética que tanto pode afectar indivíduos masculinos como femininos e até mesmo animais (é frequente em coelhos, cavalos, porcos, peixes e tigres) e plantas.

O albinismo impossibilita a produção de pigmentos naturais do corpo. A cor da pele é determinada por uma combinação dos pigmentos produzidos na pele e das cores naturais das camadas superiores da pele. Sem pigmentação, a pele teria uma coloração branca – pálida com tonalidades variáveis de rosa decorrentes do fluxo sanguíneo, através da pele.
O principal pigmento da pele é a melanina, um pigmento castanho-escuro sintetizado por células (melanócitos) que estão dispersas entre as outras células da camada superior da pele, a epiderme.
O albinismo surge devido a um bloqueio incurável da síntese de melanina. A ausência da enzima tirosinase nos melanócitos, os quais estão, entretanto, presentes em número normal, impossibilita a produção do pigmento. A melanina distribui-se por todo o corpo, dando cor e protecção à pele, cabelos e à íris dos olhos. Quando essa substância não é produzida, ocorre a hipopigmentação, também conhecida por albinismo.
Existem três tipos de Albinismo:
- Albinismo Completo ou Óculo-Cutâneo ou Tiroxinase-Negativo: Os indivíduos apresentam pele e pêlos de cor branca e os olhos rosados. Sofrem de transtornos visuais, fotofobia (aversão/sensibilidade a qualquer tipo de movimento involuntário dos olhos, estrabismo, podendo chegar á cegueira. A exposição ao sol não brônzea mas causa queimaduras de vários graus. Há uma variação deste tipo de albinismo, tiroxinase positivo, que difere na medida em que, os indivíduos na fase adulta, têm a possibilidade de melhorar a visão.
- Albinismo Ocular: Os indivíduos apresentam apenas os olhos afectados, sendo que a cor da íris varia entre azul, verde, castanho claro.
- lbinismo Parcial: Os indivíduos apresentam a ausência de pigmentação, provocado por uma alteração no cromossoma X, em zonas bem delimitadas da pele ou do cabelo, sem afectar a visão, nomeadamente a cor dos olhos. Por ser no cromossoma sexual, só afecta homens.
Causas da Doença
As causas do Albinismo variam de caso para caso, assim como a intensidade dos seus efeitos.
Geralmente o Albinismo é causado por falhas aleatórias ou herdadas num ou mais genes que regulam a produção de melanina (proteína responsável pela pigmentação e a primeira protecção do corpo contra os raios ultravioletas).
Uma pessoa pode ser portadora do gene que causa a doença e não ser Albina. Contudo, na fecundação, se os dois genes que contem a mutação se juntarem, as células do bebé em formação não são programadas para produzirem melanina. Ou seja duas pessoas com o gene da doença, mas não sendo albinos, poderão eventualmente ter filhos albinos.
Transmissão/Hereditariedade
O albinismo é hereditário e está condicionado a um gene pouco comum que gera certas características físicas e que tem carácter recessivo, não aparece em todas as gerações. Estima-se que uma em cada 17.000 pessoas é albina. A incidência do Albinismo é mais comum nos povos africanos.

Quando um dos pais possui o gene recessivo do albinismo, existe a probabilidade de transmissão de 25% em cada gravidez. De cada quatro filhos, um pode apresentar a doença. No entanto, no caso do nascimento de filho saudável, há 50% de possibilidade de ele ser portador do gene e gerar filhos com albinismo.
Consequências do Albinismo
As pessoas que são afectadas por esta mutação genica que provoca Albinismo tendem a ter uma maior probabilidade de sofrerem de cancro da pele ou de cegueira. As pessoas ou animais que sofrem da doença têm muito pouco ou mesmo nenhuma pigmentação nos seus olhos, pele ou cabelo. Os cabelos ou são totalmente brancos ou de um amarelo muito pálido, na sua visão a íris é extremamente clara podendo os olhos chegarem a ser rosados, o que provoca uma grande dificuldade de visão em lugares bastante luminosos, sendo obrigados a usarem óculos escuros e graduados devido à sua sensibilidade à luz.
A pele dos albinos, sendo muito clara devido à carência de melanina, com a radiação solar pode vir a desenvolver cancro de pele caso os doentes não estejam devidamente protegidos com protector solar ou roupas adequadas. Pois a exposição solar não produz o efeito bronzeador, mas sim queimaduras de graus variados.

Sintomas
- Pele pálida, cabelo branco e olhos cor-de-rosa;
- A visão é afectada;
- Sensíveis ao sol e por consequência queimaduras solares que podem desencadear um cancro na pele, devido à inexistente melanina que protege a pele.
Tratamento
Quanto ao tratamento desta doença, não se encontram muitas alternativas relativas à cura do Albinismo. Está na consciência de cada pessoa que sofra de Albinismo prevenir-se em relação à sua exposição solar.
Apesar disto, a terapia genética abre uma possibilidade para os portadores do albinismo. No futuro, estes pacientes poderão receber os genes que faltam a suas células "pigmentadoras", em prol da recuperação da capacidade de sintetizar a melanina
Curiosidades sobre o Albinismo
Sabia que:
- O albinismo também se manifesta em animais e plantas?
Os animais albinos, por norma, não sobrevivem muito tempo no seu meio natural em virtude da sua debilidade em relação aos raios solares e ainda porque a falta de coloração revela-os facilmente, quer para as suas presas, quer para os seus predadores. Esta mutação ocorre principalmente em cavalos, porcos, peixes, tubarões, tigres, coelhos e ratos.
- O albinismo pode afectar insectos?
O albinismo afecta todos os seres vivos, inclusive insectos, como este mosquito.
- Os tecidos internos do corpo de um albino são brancos?
Até mesmo o cérebro e a espinha dorsal são totalmente brancos num albino, enquanto que nas pessoas comuns são escuros.
Nas plantas, consiste na diminuição ou ausência total do caroteno, substância que dá cor à clorofila. O albinismo parcial produz manchas alvas em fundo verde, e corresponde à chamada variegação (cores alternadas). Neste caso, o vegetal torna-se ornamental graças à beleza que adquire.
Em suma, o Albinismo é uma mutação que condiciona gravemente o dia-a-dia dos que sofrem da doença, impedindo-os de lidar com a exposição solar, que embora em excesso seja prejudicial, é-nos necessária. Podendo também deste modo causar danos no organismo, como o cancro da pele, que poderão inclusive levar à morte do doente em questão.

Maria Domingues
Nº19
11ºB
25 October
Retinopatia Pigmentar - Doença Genética
O que é retinopatia pigmentar?
A retinopatia pigmentar é a doença hereditária degenerativa da retina, mais frequente no mundo inteiro. Estima-se em cerca de um milhão e meio o número de pessoas atingidas por esta doença. O termo "retinopatia" quer dizer lesão da retina e "pigmentar" descreve o aspecto de pigmento encontrado na retina das pessoas afectadas. A retina é uma estrutura muito fina que reveste o olho por dentro. Ela é constituída por vários tipos de células. As que recebem o estímulo luminoso são os fotoreceptores. Outras organizam essa informação e outras ainda servem de sustentação. Na retinopatia pigmentar, são os fotoreceptores que estão "estragados". Existem duas qualidades de fotoreceptores:
- os cones, responsáveis pela acuidade visual fina, dos pormenores da leitura, e pela visão das cores
- os bastonetes, responsáveis pela visão noturna e pela visão periférica.


Na maioria dos casos de retinopatia pigmentar são os bastonetes os primeiros a serem afectados, mas com a evolução da doença os cones acabam por degenerar.
Quais são os sinais da retinopatia pigmentar?

O sintoma mais frequente e que aparece mais cedo é a dificuldade de adaptação à obscuridade, às vezes chamada de cegueira noturna. Ela é sentida quando se passa de um ambiente muito iluminado para outro com pouca luz (por exemplo, ao entrar em casa ou no cinema num dia de muito sol). Outro sinal é a diminuição progressiva do campo visual, que pode dificultar a locomoção e orientação ao descer escadas, por exemplo. O campo visual vai-se estreitando pouco a pouco, acabando por ser tubular: só se vê a parte central como quando se olha através de um tubo estreito. Por outro lado, a própria acuidade visual, em alguns casos conservada até tarde, vai progressivamente sendo afectada, assim como a visão das cores.
Que exames permitem confirmar o diagnóstico de retinopatia pigmentar e seguir a evolução da doença?
O exame capaze de auxiliar a observação clínica nesse caso é o electroretinograma (ERG), que informa sobre a extensão e características da lesão da retina, a perimetria cinética ou estática, que informa sobre o estado do campo visual, e o teste da visão das cores, indicativo da lesão dos cones. A retinopatia pigmentar pode aparecer como uma doença dos olhos ou estar ligada a lesões de outros órgãos. Sendo uma doença que afecta apenas os olhos, pode ser classificada segundo a idade de aparecimento, segundo o aspecto da retina ou segundo o modo de transmissão. Pode também estar associada a alterações de outros órgãos, constituindo síndromes: síndrome de Usher, síndrome de Bardet Biedl, etc.

Como é transmitida a retinopatia pigmentar?
Podemos encontrar todos os tipos de transmissão hereditária nesta doença. Na transmissão autossômica dominante (AD), a transmissão faz-se de pais para filhos independentemente do sexo. O início é, em geral, mais tardio e a evolução mais lenta e suave do que nas outras formas. Ela é responsável por cerca de 20% dos casos. Na transmissão autossômica recessiva (AR), a doença aparece entre irmãos, nos filhos de casamentos consanguíneos ou em pequenas comunidades endogâmicas, nas quais os casamentos acontecem sempre dentro de um mesmo grupo. Manifesta-se geralmente mais cedo e com uma evolução mais rápida que a anterior. Ela é responsável por cerca de 17% dos casos. Na transmissão ligada ao X (XR), os elementos atingidos numa família são do sexo masculino e ligados entre eles por mulheres condutoras, mas sãs. É menos frequente do que as formas anteriores (13%). Tem início nos primeiros anos de vida e atinge rapidamente aspectos muito graves. Em 50% dos casos desconhece-se o tipo de transmissão.
(Texto retirado da revista Luís Braille número 34 -Setembro de 1999)

O que causa a cegueira nocturna?
A cegueira nocturna é causada pela deficiência da vitamina A, um micro nutriente que desempenha papel essencial na visão, crescimento, desenvolvimento do osso, desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial, processo imunológico e reprodução. Aproximadamente 90% da vitamina A do organismo é armazenada no fígado; o remanescente é armazenado nos depósitos de gordura, pulmões e rins. A deficiência de vitamina A também causa ressecamento da esclera (parte branca) e córnea dos olhos, inflamação da pele (dermatite) e endurecimento das membranas mucosas dos tratos respiratório, gastrointestinal e genito-urinário. O excesso da vitamina causa dor de cabeça, ressecamento da pele com fissuras, perda de cabelos, aumento dos ossos, do baço e do fígado, além de dor nas juntas. A vitamina A é encontrada em alimentos de origem animal (leite, ovos, fígado). Já os vegetais folhosos verde-escuros , vegetais e frutas amarelo-alaranjados possuem carotenóides, que são convertidos em vitamina A pelo organismo.

Trabalho realizado por:
- Maria Beatriz Sousa Silva
http://saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=1687
16 June
Stress
A epidemia do século XXI
Não sendo um fenómeno exclusivo das sociedades modernas, até porque a todos afecta, é nestas que o stress é mais discutido. Há o stress provocado pelo ritmo da vida moderna, o stress da guerra e da insegurança, o stress do isolamento, o stress do trabalho...
De uma forma genérica, podemos definir este problema como sendo uma resposta do organismo a um esforço físico, psicológico e/ou emocional.
A palavra stress deriva do inglês e refere-se à tensão a que os metais são submetidos para comprovar a sua resistência. Em 1950, um médico comparou esse processo a que se submetiam os metais com a prova de resistência que a sociedade realiza com as pessoas. Considerou que, em determinados momentos de tensão, o stress é um mecanismo que mobiliza todas as reservas do organismo humano, de forma a proporcionar as energias extras de que necessitamos para enfrentar as dificuldades a que estamos sujeitos. O stress não é uma palavra negativa e, mesmo que o termo seja relativamente moderno, o conceito que encerra é tão velho como a existência do Homem na Terra. Sempre existiram mecanismos de defesa contra os problemas ou dificuldades da vida. É a capacidade do indivíduo reagir a certas agressões que faz com que o stress seja algo positivo (um estímulo que incita o indivíduo a superar os vários desafios com que se depara) ou negativo (quando se encontra numa "encruzilhada" e o seu organismo bloqueia, ao sentir-se ameaçado).
A predisposição para o stress é frequente em pessoas que:
- fazem demasiadas coisas em simultâneo;
- sobrecarregam-se de trabalho;
- vivem com uma impressão irónica de urgência;
- comprometem-se com prazos impossíveis de cumprir;
- ficam demasiado impacientes perante atrasos ou interrupções;
- não toleram erros (seus e das pessoas que os rodeiam);
- têm demasiadas exigências familiares;
- são perfeccionistas;
- vivem em constante insegurança;
- vivem com medo de fracassar ou decepcionar os outros.
Causas da doença
Quando atravessamos momentos críticos, o nosso organismo prepara-se para o esforço em poucos segundos e toda a energia disponível acumula-se para poder ser utilizada no momento certo.
Existem células localizadas no hipotálamo capazes de detectar este fenómeno. Estas, quando estimuladas, levam a uma maior libertação da hormona ACTH pela hipófise, a qual é lançada na corrente sanguínea, indo atingir as células-alvo, as células das glândulas supra-renais, que passam a produzir e injectar adrenalina e noradrenalina no sangue. O coração começa a bater mais depressa, aumentando o fluxo sanguíneo, porque há uma maior necessidade de oxigénio. As pupilas dilatam-se, para aumentar a capacidade de percepção. A adrenalina mobiliza o fígado, para que se aproveitem as suas reservas de glicose e a tensão sanguínea aumenta. As reservas de açúcar passam para os músculos, tonificando-os. O pensamento fica bloqueado. Toda a energia disponível se concentra para fazer frente ao perigo.
Sempre que a pessoa se excita, este processo volta a desencadear-se. O problema surge quando existem demasiados estímulos, quando este processo tem de ser desencadeado com demasiada frequência e, em contrapartida, o esforço físico não se realiza e não há dispêndio de energia.
Em suma, podemos dizer que o nosso corpo acaba por se "queixar", porque não conseguimos utilizar a energia que ele disponibilizou.

Fig. 2 - mecanismo originário do stress
Sintomas
O stress, e como outra qualquer doença, apresenta uma série de sintomas associados que, quando tidos em conta, permitem o seu tratamento ainda numa fase inicial e que envolve, assim, menos problemas. Destes sintomas podemos destacar:
- Doenças psicossomáticas, como dores de cabeça ou cefaleias, sensações de vertigem, prisão de ventre ou diarreia, taquicardias e contracções musculares;
- Disfunções do sistema hormonal;
- Estados de irritabilidade, nervosismo, com repentinas alterações de humor, impaciência e insatisfação pessoal, atitudes irascíveis, agressividade, abatimento e falta de incentivo;
- Cansaço físico, do qual não se recupera mesmo após uma boa noite de sono, fadiga permanente, dificuldade na conciliação do sono, esgotamento.
É de salientar que embora todos estes sintomas podem ser indicadores do desenvolvimento de stress, é recomendável consultar o médico para verificar se eles não correspondem a outra doença.


Fig. 3 e 4 - situações ilustrórias de pessoas que sofrem de stress
O stress "arrasta" ainda consigo uma série de consequências desagradáveis:
- aumenta o ritmo cardíaco, pressão sanguínea e adrenalina, o que conduz a uma vasoconstrição das artérias e veias;
- daí resulta um pobre fornecimento de oxigénio às células, o que leva à produção e acumulação de ácido láctico nas células musculares e a uma diminuição do tónus muscular, assim como a um decréscimo do raciocínio, tornando-o errático e aumentando a fadiga e a ansiedade;
- a tensão nervosa aumenta e com ela a irritabilidade que vai gerar ainda mais "stress".
Para conhecer os 10 mandamentos a ter em conta para a prevenção do stress, consulte o seguinte site:
http://aeiou.expressoemprego.pt/scripts/indexpage.asp?headingID=4457 (informação em português)
Pedro Faustino
nº21 10ºB
14 June
Álcool e os seus efeitos
Como se forma o álcool?
As leveduras são fungos. Apresentam-se caracteristicamente, sob forma unicelular. Como células simples, as leveduras crescem e reproduzem-se rapidamente e são bastante eficientes na realização de alterações químicas, por causa da sua maior relação área/volume.

um tipo de levedura
As leveduras desenvolvem-se em meios ricos em açucares. Para obterem energia utilizam um processo simples mas rápido de produção de energia ( em anaerobiose) - a fermentação.
A fermentação tem 2 etapas:
- Glicólise: reacções que degradam a glicose transformando-a em ácido pirúvico, com a produção de 2 ATP's e 2 NADH
- Redução do piruvirato: Realiza-se pela acção do NADH e pode originar diferentes tipos de produtos, como o álcool.
Os diferentes tipos de bebidas alcoólicas são obtidos a partir de diferentes matérias primas. O vinho produz-se a partir da fermentação de uvas, a cerveja a partir de cevadas e bebidas brancas como o whisky ou a vodka a partir de cevada, milho, trigo, centeio, entre outros.
Os efeitos do álcool no cérebro
O cérebro controla todo o nosso corpo. A informação circula no cérebro de neurónio para neurónio através de sinapses.
Os neurónio são contituídos por 3 partes:
- Dendrites : conduzem os estímulos provenientes do ambiente ou de outras células nervosas até ao corpo celular.
- Corpo celular : conduz o estímulo desde a dendrite até ao axónio.
- Axónio: transmite os impulsos nervosos provenientes do corpo celular.

Os impulsos nervosos são transmitidos de neurónio em neurónio através de estímulos electroquímicos, as sinapses. Existem 2 tipos de sinapses; as químicas e as eléctricas.
- Sinapses eléctricas: São menos comuns. Permitem que o impulso se propague mais rapidamente. O potencial de acção propaga-se directamente entre neurónios sem a intervenção de neurotransmissores devido à existência de pontos de contacto entre as membranas das duas células.
- Sinapses químicas: Entre o axónio e a dendrite existe uma fenda- a fenda sináptica. Os neurotransmissores são transportados em vesículas até ao axónio. Quando o estímulo chega ao axónio, as vesículas fundem-se neste, libertando os neurotransmissores para a fenda sináptica. Os neurotransmissores ligam-se, assim, à dendrite da célula seguinte. É deste modo que o impulso nervoso é processado através dos neurónios, com a finalidade de movimentar os nossos músculos.


Sinapse química normal.
As pessoas quando bebem têm problemas com o equilíbrio, coordenação e formulação de juízos, além de reagirem mais lentamente a estímulos. Todos esses sinais físicos ocorrem devido à forma como o álcool afecta o cérebro e o sistema nervoso central.
O álcool afecta a química do cérebro, alterando os níveis de neurotransmissores. Neurotransmissores são mensageiros químicos que permitem a transmissão dos sinais eléctricos através do corpo. Os neurotransmissores são excitatórios, o que significa que estimulam a actividade elétrica do cérebro, ou inibitórios, quando a reduzem. O álcool inibe o neurotransmissor excitatório glutamato, suprimindo os efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico.
O álcool aumenta os efeitos do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico) no cérebro, dificultando a despolarização e consequentemente tornando o fluxo nervoso mais lento. A inibição dos neurotransmissores GABA causa os movimentos lentos e a fala enrolada que frequentemente se observam nos alcoólatras.
Finalmente o álcool aumenta também a quantidade de dopamina no sistema nervoso central, o que resulta nas sensações de prazer.


Sinapse quimica com intervenção do etanol
Diversas partes do cérebro são afectadas pelo álcool:
- Córtex cerebral: nesta região dá-se o processamento de pensamentos e a consciência. O álcool afecta os centros de inibição de comportamento, diminuindo a inibição, e atrasando o processamento de informações dos olhos, ouvidos, boca e outros sentidos, além das funções cognitivas – tornando-se difícil pensar claramente.
- Cerebelo: o álcool afeta o centro dos movimentos e do equilíbrio.
- Hipotálamo e hipófise: coordenam as funções automáticas do cérebro e a liberação de hormonas. O álcool deprime os centros nervosos do hipotálamo, que controla os estímulos e a performance sexual.
- Medula: essa área do cérebro é responsável por funções automáticas como respiração, consciência e temperatura corporal. Ao atingir a medula, o álcool provoca o coma. Caso a quantidade seja suficiente pode diminuir a frequência respiratória e baixar a temperatura corporal levando à morte.
Efeitos do álcool no corpo
Uma vez absorvido pela corrente sangüínea, o álcool é expulso do corpo de três formas:
- Pelo rim que elimina 5% do álcool na urina;
- Pelos pulmões que expelem 5% do álcool pela respiração (é por isso que se faz o teste do balão)
- Pelo fígado que quebra quimicamente o álcool restante em ácido acético.
Após ser ingerido, o álcool, é absorvido no intestino e entra na corrente sanguínea. A absorção dá-se 5 a 15 minutos depois da ingestão caso não haja alimentos no estômago e 30 a 60 minutos depois da ingestão se for ingerido durante a refeição.
Uma vez na corrente sanguínea o álcool passa pelo fígado onde é metabolizado.No fígado o álcool sofre uma série de reacções químicas, sendo primeiro transformado em acetaldeído, uma substância tóxica, responsável pela “ressaca”. Esta substância transforma-se em acetato sendo libertada através da urina.
O organismo processa o álcoool muito lentamente, eliminando, em média, 10g/l de álcool do sangue por hora. Assim, uma pessoa que tiver uma taxa de alcoolemia de 0.5g/l, precisa de 5 horas para atingir uma alcoolemia de 0,0g/l.
Doenças neurológicas
De todo o corpo é o órgão que tem sido mais intrigante ao longo do tempo, inacessível, complexo, detentor da personalidade, centro do conhecimento, ou máquina funcional – é o cérebro humano.
O cérebro humano é constituído por cerca de 100 mil milhões de neurónios que comunicam entre si através das sinapses, para a execução das mais diversas actividades.
1.- Cérebro Humano
Comunicação entre neurónios pode ser a chave do segredo de algumas doenças
Em Portugal, é no Edifício Egas Moniz onde está instalado o Instituído de Medicina Molecular, que cientistas da Unidade de Neurociências estudam os mecanismos envolvidos na comunicação entre neurónios com recurso à electrofisiologia. Uma área de investigação que pode levar a uma melhor compreensão das doenças neurológicas.
Segundo um investigador da Universidade Neurociências é ao nível das sinapses que se desencadeiam algumas doenças neurológicas. Sendo neste local, onde se pode intervir para melhorar o que se passa nas várias situações, como por exemplo a epilepsia, a doenças de Parkinson, a doença de Alzheimer… Estas situações são consideradas doenças que envolvem sobretudo modificações da actividade sináptica.
O investigador utiliza em laboratório células do cérebro de um ratinho, as quais são metidas vivas em ambientes semelhantes às existentes no corpo, de modo a poderem ser utilizadas em experiencias de electrofisiologia. Os cientistas colocam um eléctrodo numa dessas células vivas, que está a funcionar, a qual, lhe permite ver como ocorre a transmissão sináptica e depois como pode variar a frequência da activação da sinapse, tal como ocorre no cérebro humano.
Através de uma simulação da estimulação da frequência é possível perceber a actividade sináptica, ou seja, com o aumento ou com a diminuição das frequências conseguem-se compreender como se comportam as ligações entre os neurónios nas várias situações como por exemplo, na retenção e na perda da informação.
Assim, quando se realizou simulações de longa duração pretendendo-se que as sinapses com baixa frequência ficassem quase inactivas, foi possível concluir que na prática não iriam reter informação. Com esta simulação gera-se um fenómeno que se designa por potenciação das sinapses do qual a formação da memória está dependente. Assim, torna-se indispensável ter esta activação desta potenciação de longa duração que não permite ao cérebro reter toda a informação no entanto ainda retém alguma que é preciso esquecer.
Para além da situação abordada anteriormente este investigador também utiliza técnicas que possibilitou ver determinados movimentos em virtude da activação de neurotransmissores (que actuam neste região), daí o interesse pela questão genética da comunicação das sinapses. É através destas técnicas, que os especialistas testam ainda fármacos como factores neurotroficos para compreender como actuam ao nível das células cerebrais, em casos como a doenças de Alzheimer ou e de Parkinson.
Este cientista ainda descobriu que activando outras moléculas podiam fazer com que os receptores, ou outros factores que estão silenciosos no cérebro despertassem a sua actividade e actuassem ao nível das sinapses. Sendo importante para determinadas circunstâncias em que haja por exemplo défices, por exemplo, de lesões ou situações desse tipo, seja possível promover a sua activação através de outras moléculas que disparam estes, que fazem com que estes que são silenciosos se tornem activos.


2.- Neurónio- Sinapse
Entrar na complexa rede de células que constitui o cérebro é a única via para desvendar os segredos que esconde, e desta forma poder actuar nas situações de doenças como sejam, as neurológicas.
Sílvia Serrano nº24
10ºB
13.06.2009
31 May
Transporte Clandestino

Todos os seres vivos têm necessidade de efectuar trocas de substâncias com o meio envolvente, sendo esta a condição fundamental para a manutenção da vida.
Nos animais, as células precisam de receber oxigénio e nutrientes e de eliminar dióxido de carbono juntamente com outros produtos de excreção resultantes do metabolismo.
A forma mais eficaz de estas substâncias atravessarem a membrana celular é sob a forma dissolvida; para isto as células têm de ser banhadas por um meio líquido.
Nos animais mais simples não há um sistema de transporte especializado, como no caso da hidra, em que como só é constituída por duas camadas de células em contacto directo com o meio envolvente, as substâncias necessárias à actividade celular difundem-se directamente do meio para a cavidade gastrovascular e daí para as células; os produtos de excreção que resultam do metabolismo são lançados directamente no meio.
Contudo, mesmo em casos de animais um pouco mais desenvolvidos como os Platelmintes, o transporte das substâncias necessárias à actividade celular faz-se sem a intervenção de um sistema de transporte especializado, como no caso da Ténia.

Ténia ou Bicha-solitária é o nome comum que se dá a uma espécie de parasitas (platelmintes) que se hospeda no intestino dos animais vertebrados (incluindo o homem), podendo atingir os 10 metros de comprimento. As Ténias possuem o corpo segmentado, composto por anéis, chamados proglótides ou proglotes.

A Taenia solium e a Taenia saginata são as mais conhecidas, por na fase adulta, parasitarem o intestino delgado do homem (hospedeiro definitivo); os seus hospedeiros intermediários são o porco, no caso da Taenia solium, o boi no caso da Taenia saginata e os peixes no caso do Diphyllobothrium latum (menos conhecida).
A Taenia solium adulta vive no lúmen do intestino delgado do homem. O homem que possui teníase (ou solitária – nome comum), nome que é dado à doença causada pela presença deste animal no intestino, liberta cerca de 40.000 ovos fecundados por cada anel expulso pelas fezes. Estes ovos contêm embriões denominados de oncosferas. O porco por exemplo, hospedeiro intermediário, ingere os ovos que, ao chegarem no intestino, libertam a oncosfera; esta atravessa a mucosa digestiva, alcança a corrente sanguínea e aloja-se em vários tecidos ou órgãos do animal. Nestes locais, evolui para um estado larval, chamado cisticerco. O homem torna-se hospedeiro definitivo do animal quando ingere carne de porco crua ou mal cozida contendo cisticercos, assim, após a infecção do lúmen do intestino, passa a apresentar uma doença conhecida como Teníase.
Ao ingerir ovos da ténia em vez de cisticercos ao consumir carne crua ou mal-cozida de suíno, o homem passa a ser hospedeiro intermediário. Quando os ovos sofrem maturação e tornam-se cisticercos no organismo humano, podem causar deficiência visual, fraqueza muscular e/ou epilepsia, dependendo do local onde se alojam, neste caso a doença é chamada de cisticercose e é mais grave que a teníase que em casos extremos pode mesmo levar à morte. Nalguns países o hábito de fertilizar o solo com fezes humanas aumenta muito o risco de contaminação. Também pode ocorrer por infecção fecal oral como em determinadas praticas sexuais.
Há também a Taenia saginata, cujos hospedeiros intermediários são os bovinos, que se infectam através da ingestão dos ovos deste parasita, eliminados nas fezes do homem. No caso da Taenia saginata o homem pode ser apenas hospedeiro definitivo.
No caso da Diphyllobothrium latum os hospedeiros intermediários são os peixes de água doce. Nos peixes, este tipo de ténias fixam-se de forma semelhante às outras ténias. Os seres humanos são infectados se consumirem peixes de água doce crus ou mal-passados que contenham a ténia.
Ciclo de vida
Reprodução
As ténias são seres que se reproduzem de forma sexuada; são hermafroditas, ou seja, possuem os dois sexos presentes num mesmo indivíduo. Não há machos nem fêmeas, e cada proglótide colabora com óvulos e com espermatozóides, ocorrendo então a fecundação no interior de cada proglótide. Ocorre um fenómeno interessante em cada proglótide: o aparelho reprodutor masculino forma-se antes do feminino. Após a fecundação o aparelho masculino involui, desaparecendo por completo, deixando todo o espaço no interior do proglótide para a formação e maturação dos ovos. Este fenómeno é chamado de protandria.
Prevenção
A prevenção da infecção por ténia é feita pelos órgãos de saúde pública por meio da melhoria da higiene e controle da alimentação de suínos e bovinos e inspecção das carcaças de animais abatidos para consumo. A prevenção pessoal passa pelo consumo de carne de porco e de vaca exclusivamente bem cozidas ("bem passada"
. O presunto e outros derivados não cozidos são alimentos de especial risco.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Platyhelminthes
Classe: Cestoda
Ordem: Cyclophyllidea
Família: Taeniidae
Gênero: Taenia
19 May
Se os gelos do Oeste da Antárctida derreterem, os mares não subirão tanto quanto se pensava
Estudo realizado na passada semana dia 14 de Maio, universidade de Bristol, no Reino Unido, publicado na revista “Science”, diz nos que derretimento da calote glaciar no ocidente da Antárctida fará subir o nível das águas do mar de uma forma menos espectacular do que se pensou até aqui, mas terá no entanto um efeito dramático.
Através de novas medições da geometria dos gelos desta zona da Antárctida, os investigadores britânicos e holandeses concluíram que, quando desaparecer, a elevação do nível dos oceanos será de 3,2 metros, e não de cinco a sete metros, como previam estudos anteriores.
No entanto, mesmo o aumento de um metro no nível dos oceanos será suficientemente importante para afectar o campo de gravidade terrestre no hemisfério sul e modificar a rotação do planeta. Essa mudança levará a uma acumulação de água oceânica no hemisfério norte e poderá traduzir-se em diferenças importantes no nível dos diferentes oceanos, com a elevação mais acentuada a atingir as costas Este e Oeste dos Estados Unidos.
“Mesmo que os glaciares no Oeste da Antárctida não contribuam senão para uma elevação de um metro do nível dos oceanos, distribuída por vários anos, o nível dos mares na costa norte-americana conhecerá uma elevação 25 por cento superior à média”, explicou à AFP o principal autor do estudo, Jonathan Bamber, da universidade de Bristol. Isso significa que cidades como Nova Iorque, Washington ou São Francisco serão atingidas.
Os investigadores não sabem a que velocidade é que os gelos poderão desaparecer. Mas se afundar a um ritmo constante ao longo dos próximos 500 anos, o nível dos oceanos aumentará 6,5 milímetros por ano, o que é duas vezes mais rápido do que o ritmo actual.
“Cerca de 17 milhões de pessoas no Bangladesh ficarão desalojadas por um aumento do nível dos oceanos de 1,5 metros”, disse à Reuters Jonathan Bamber. “As consequências para o planeta e para a estabilidade da sociedade como um todo de um aumento de um ou dois metros [no nível das águas] são muito, muito sérias”.
Diogo Gomes Ventura
nº26 10ºB2
07 March
Salada de fruta

Podemos definir a “Biodiversidade” como o conjunto das diferentes formas de vida que existem no Planeta como um todo, ou numa região em particular.
A grande preocupação que já existe hoje em dia é a de que o ser humano esteja a provocar o desaparecimento de várias espécies num curto espaço de tempo, o que poderá conduzir à redução drástica dessa biodiversidade. Esse desaparecimento de espécies deve-se à prática intensiva da agricultura, às alterações climáticas, à poluição,à destruição de habitats por construção de barragens, pela crescente urbanização, pela destruição das florestas, e a outros factores humanos.
Mas porque é que é assim tão importante preservar a biodiversidade ?
Actualmente razões de várias ordens estão na base deste princípio mundialmente aceite – o princípio da preservação:
- Motivos éticos, pois o ser humano tem o dever moral de proteger outras formas de vida, como espécie dominante no Planeta;
- Motivos estéticos, uma vez que as pessoas apreciam a natureza e gostam de ver animais e plantas no seu estado selvagem;
- Motivos económicos; a diminuição de espécies pode prejudicar actividades já existentes (pesca de uma espécie com elevado valor comercial que está a desaparecer, como o Tamboril e a Lampreia). Pode aindada economia mundial e 80% das necessidades dos povos dependem dos recursos biológicos; comprometer a sua utilização futura (ex. para produção de medicamentos). Não podemos esquecer que pelo menos 40%
- Motivos funcionais da natureza, dado que a redução da biodiversidade leva a perdas ambientais. Isto acontece porque as espécies estão interligadas por mecanismos naturais com importantes funções (ecossistemas), como a regulação do clima; purificação do ar; protecção dos solos e das bacias hidrográficas contra a erosão; controlo de pragas; etc.
As principais causas para a extinção das espécies são as profundas alterações climáticas, ou mesmo a destruição dos habitats. A destruição dos habitats tem-se intensificado, principalmente, devido à crescente erosão e desertificação dos solos; ao sobre pastoreio; à poluição da água; do solo e da atmosfera por substâncias químicas provenientes da indústria e da agricultuta intensiva; aos derrames de crude e de outros poluentes nos mares; ao consumo de alguns animais e plantas e à introdução de espécies exóticas pelo Homem.
A tomada de conciência do risco de extinção de espécies tem levado vários países a criarem áreas protegidas, que pretendem manter as diferentes espécies e ecossistemas, relativamente livres da acção do homem, permitindo assim a conservação de um património natural rico em diversidade (tanto a nível de fauna como a nível de flora) para as gerações actuais e futuras.
Reserva natural é “uma área destinada à protecção da flora e da fauna”. As reservas integrais são zonas de protecção integral demarcadas no interior de Áreas Protegidas “destinadas a manter os processos naturais em estado imperturbável” enquanto as reservas marinhas constituem áreas demarcadas nas Áreas Protegidas que abrangem meio marinho destinadas a assegurar a biodiversidade marinha.
O que é uma micro-reserva?
Por todo o território nacional, existem elementos do património natural descontínuos e com pequenas áreas de ocupação, como por exemplo, comunidades de leitos de cheia, escarpas litorais, afloramentos com flora especializada, grutas com morcegos e invertebrados troglóbias, charcas temporárias essenciais à preservação dos anfíbios ou pequenos bosques. A maior ameaça à persistência destes valores é a ignorância: com frequência são devassados ou destruídos porque simplesmente não se sabe que existem ou os decisores não têm consciência da sua relevância para a conservação! Tendo estes espaços, na sua grande maioria, singular importância para a conservação e, não existindo uma figura legal apropriada à gestão destes espaços, o conceito de “micro-reserva” surge como uma ferramenta essencial à preservação de espécies e habitats.
As micro-reservas são pequenas áreas protegidas, raramente com mais de 20 hectares. Têm obrigatoriamente que possuir um plano de gestão e uma definição clara do domínio útil da propriedade;
e têm como principal objectivo a preservação de habitats naturais e semi-naturais, bem como de espécies da flora, invertebrados e pequenos vertebrados considerados raros, ameaçados ou em perigo de extinção. Têm também uma função importante em investigação científica e em educação ambiental.
- A diversidade é a principal característica da vida. Acompanhando a diversidade a diversidade da vida verifica-se uma surpreendente unidade, sobretudo nos níveis mais baixos de organização biológica; assim, esta unidade na diversidade está assente nas ligações evolutivas entre todos os organismos.

A DIVERSIDADE É A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA DA VIDA, CONTRIBUI PARA A SUA PRESERVAÇÃO
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