14 March

Sismo no Chile encurtou os dias

No dia 27 de Fevereiro de 2010, ocorreu um sismo no Chile de magnitude 8.8 na escala de Richter. Houve uma enorme libertação de energia que, consequentemente, fracturou rochas e fez alterar a distribuição de uma grande quantidade de massa na superfície terrestre, alterando o equilíbrio do nosso planeta. Devido a este grande abalo de Terra ocorreu um deslocamento do eixo do planeta terra, numa ordem, de 8centimetros, encurtando assim os dias terrestres 1.26microsegundos. Esta alteração só pode ser observada com equipamentos de grande precisão, o nosso cérebro não tem percepção de um intervalo de tempo tão curto, portanto, não iremos sentir nenhuma diferença a nível do nosso quotidiano.

            Este fenómeno que suscita tanto interesse, não é a primeira vez que ocorre. Em 2004, com o tsunami que teve lugar em Sumatra, aconteceu algo semelhante, porém, o abalo foi tão grande que encurtou os dias 6.8microsegundos. Porém, pensa-se que quando a maior barragem do mundo, a barragem das 3 Gargantas, na China, estiver cheia, cerca de 40km cúbicos, o dia terrestre irá ter mais 0.06microsegundos.

 

  • Porque é que o sismo contribuiu para tal fenómeno?

Vou recordar a noção de sismo: um sismo é um movimento vibratório da crosta terrestre provocado por uma grande libertação de energia. Maior parte dos sismos ocorre em zonas de fronteira de placas tectónicas, pois são sítios onde se acumula muita energia. Porém, os sismos, também podem ocorrer com o abatimento natural de grutas. Com o passar do tempo acumula-se muita energia nos materiais, que inicialmente se deformam, enquanto a elasticidade das rochas o permiti. Contudo há uma altura em que essa energia é tal que as rochas fracturam e transferem a energia que acumularam ao longo de anos ou séculos. Essa energia propaga-se sobre a forma de onda sísmica destruindo tudo o que encontra.

           

Um sismo quanto mais energia tem, maior capacidade tem de modificar os materiais e de fazer mover esses materiais, alterando assim a maneira como se predispõem na superfície terrestre. Esta alteração vai modificar a dinâmica do nosso planeta, e terá implicações directas na órbita do nosso planeta e na velocidade de rotação do mesmo. Este vai passar a girar de forma mais rápida, o que irá fazer com que o dia perca alguns microsegundos.

 

“Qualquer evento que envolva o movimento de (grande) massa afecta a rotação da Terra” argumenta Fang Chao.

Em suma, sempre que há uma alteração de enormes massas na superfície terrestre, isso poderá alterar a velocidade de rotação da terra, aumentando ou diminuindo os dias. Logo, este fenómeno que se tornou tão mediático pode acontecer sempre que ocorre um sismo, ou algum fenómeno idêntico que liberte muita energia.

 

 

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/interior.aspx?content_id=1508720 

            Cláudia Sofia Pires Centúrio

Nº 26  11ºB


Publicado por Maria Belo às 15:23:35 - Sem comentários

05 March

Uma nova perspectiva evolutiva!

"O fenótipo de um organismo pode ser transformado e transmitido às gerações seguintes". Essa afirmação é considerada uma idéia lamarckista, uma vez que Lamarck afirmou que as características adquiridas por um organismo, ao longo do seu tempo de vida, podiam ser transmitidas para os seus descendentes. Com os avanços na biologia molecular,no campo da epigenética (que é um termo usado para referir o estudo das características celulares que mudam, ao longo do tempo, sem alterar o genoma) revela que o ambiente pode exercer pressões no estilo de vida do ser vivo,nomeadamente, no funcionamento dos genes, modificando os fenótipos, através do processo de metilação do ADN (alteração química da molécula de DNA, provocando diferentes características fenótipo, sem que esta sofra alterações na sequência de bases). Essa modificação iria ser transmitida de geração para geração, retomando a ideia Lamarckista. Portanto, esta ciência levanta uma polémica: poderá ela ser considerada um neolamarckismo, em que as diferenças entre os organismos são devidas à herança dos caracteres adquiridos, não só pela influência do uso e desuso dos órgãos, mais ainda pelas condições físico-químicas do ambiente? E se existir uma relação direta entre os dois assuntos, como os cientistas da área estão a encarar este novo paradigma da evolução? Será que Lamarck teria alguma razão?

Método pelo qual se chegou a este novo ponto de vista evolutivo e resultados
 
Através de uma análise bibliográfica, procurou-se esclarecer a relação entre a teoria evolucionista da herança de caracteres adquiridos proposta por Lamarck e a epigenética, a qual estabelecem novos parâmetros às características fenótipas, com o envolvimento da biologia molecular. Primeiramente, foram reunidas informações sobre a transmição de caracteres adquiridos segundo Lamarck. Em seguida, foi realizado um estudo sobre epigenética e como essa ciência pode estabelecer uma relação com a evolução. Posteriormente, foram analisados livros específicos de cada área, diversos artigos científicos publicados em jornais on-line, assim como publicações em revistas e sites científicos. Foram considerados os pontos de vista defendidos pelas duas ciências envolvidas: a biologia molecular (epigenética) e evolução.
As influências dos factores epigenéticos no fenótipo de um organismo parecem evidentes, uma vez que as características de um ser vivo são determinadas no seu genótipo, ou seja no ADN. Porém, a forma como essas características se expressam depende de outros factores, entre eles, a metilação da citosina do material genético. Os padrões de metilação podem ser herdados e alterados com os estilos de vida, este foi um argumento usado por cientistas que defendem a epigenetica como indícios de que Lamarck não estava totalmente errado. Ele afirmava que o organismo adquiria caracteres que ofereciam maiores probabilidades de sobrevivência e eram passados às gerações seguintes. O uso da epigenética como meio de reabilitar as teorias lamarckistas enfrenta uma resistência entre os evolucionistas, uma vez que não estão convencidos da relevância desta ciência na evolução. Percebe-se, então, a dificuldade de aceitação da ideia do ambiente como um indutor da variação hereditária e não mais como somente um selecionador, já que fundamentos darwinianos dominam. Entre os biólogos moleculares a epigenética abriu muitas portas para a compreensão de muitos processos genéticos, entre eles, a nível molecular, a possível herança de caracteres adquiridos, o que apela para alguns dos fundamentos defendidos por Lamarck.

Apreciações Finais

Face a eventos epigenéticos, Lamarck poderia ter razão quanto à transmição de caracteres adquiridos, uma vez que o ambiente poderia gerar fenótipos transmissíveis. A alteração das bases pode silenciar o gene em causa, o que eventualmente alteraria o fenótipo do indivíduo e este poderia ser herdado, o que relembra parte da teoria lamarckista. Os padrões de metilação de citocina do ADN são os mecanismos mais conhecidos dentro da epigenética. Esses padrões podem ser influenciados pela pressão ambiental ou pelo estilo de vida de um ser vivo, como a subnutrição materna que pode gerar diminuição da estatura do filho e de futuras gerações. Essas mudanças epigenéticas não modificam o genótipo e sim a forma de expressão génica. Os avanços da epigenética ainda geraram discussões entre os biólogos moleculares e evolucionistas no cenário científico, onde não há um consenso. Assim, são necessários mais estudos sobre esta área e sobre os impactos que pode gerar nos processos evolutivos.


http://omelhordabiologia.blogspot.com/2010/02/epigenetica-estaria-lamarck-certo.html

João Ramos, 11ºB, nº15


Publicado por Maria Belo às 08:30:00 - Sem comentários

19 February

Evolução do Homem

 Como surgimos e progredimos...

A espécie humana pode ser considerada um enorme sucesso ecológico, sendo mesmo o animal de grandes dimensões mais abundante no planeta Terra. No entanto, será certamente surpreendente notar que este nosso sucesso ecológico sem comparação se deve a uma série de acontecimentos que constituem, de certa forma, excepções ao decurso esperado para a evolução: somos grandes primatas, um grupo que quase se extinguiu há 15 M.a. em competição com os macacos; somos primatas, um grupo de mamíferos que quase se extinguiu há 45 M.a. em competição com os roedores; somos tetrápodes sinapsídeos, um grupo de répteis que quase se extinguiu há 200 M.a. em competição com os dinossauros; somos descendentes de espécies de transição - peixes adaptados à vida terrestre -, que quase se extinguiram há 360 M.a., em competição com peixes bem adaptados à vida aquática. E, por último, mas não menos espantoso, somos cordados, um grupo que sobreviveu no período Câmbrico, em competição com os artrópodes.

Percurso evolutivo do Homem

Primeiros mamíferos                                   

Os fósseis mais antigos de mamíferos de que se tem registo surgiram há cerca de 200 M.a., no início da era Mesozóica (época de apogeu dos répteis), quando surgiram os primeiros dinossauros.

Embora destes primeiros mamíferos apenas sejam conhecidos fósseis de pedaços de crânios, dentes e mandíbulas, foi possível obter muitas informações sobre esses animais:

  • eram animais pequenos, tendo um tamanho aproximado ao dos actuais ratos;
  • apresentavam dentes afiados, pelo que deveriam ser carnívoros. Porém, devido ao seu tamanho, pensa-se que se alimentariam principalmente de insectos, vermes e ovos de répteis;
  • eram homeotérmicos, facto que pode ser deduzido da presença de palato (céu da boca) ósseo a separar a boca do nariz nos crânios. Esta característica existe nos organismos que respiram continuamente, mesmo quando se alimentam, o que é típico de seres com elevados gastos energéticos, como os homeotérmicos. Este facto permitia-lhes manterem-se activos de noite e ao entardecer;
  • eram animais nocturnos, dado a elevada dimensão das suas órbitas;
  • teriam uma audição apurada, uma vez que o ouvido apresentava três ossos, ao contrário dos répteis, que apenas apresentam dois.

Os mamíferos subsistiram até há cerca de 65 M.a., época de extinção dos dinossauros, mantendo uma discreta vida nocturna. Por volta desta altura, proliferaram-se e colonizaram os mais diversos habitats (Fig. 1). Por isto, a era Cenozóica é considerada a era dos mamíferos.

Mamíferos ancestrais
Fig. 1 - alguns mamíferos pré-históricos

Primatas

A separação dos continentes originou duas grandes linhas evolutivas de primatas: símios do novo mundo e símios do velho mundo.  

Estes animais, que vivem geralmente em florestas tropicais, apresentam uma enorme diversidade, que é facilmente reconhecida quando se observa um lémur-rato com 35 g e um gorila com mais de 200 Kg. No entanto, todos eles apresentam características semelhantes, como a presença de unhas e cauda.

O que distingue os primatas das outras ordens de mamíferos?

Os primatas, sendo o resultado de um longo e diversificado processo evolutivo, apresentam certas características que lhes proporcionam uma melhor adaptação ao meio:

  • adaptação à vida arborícola - a vida arborícola é característica de todos os primatas, excepto o Homem, sendo um meio eficaz de evitar ataques de predadores;
  • dedos preênseis - os primatas são, comparativamente, pouco especializados, pois as suas extremidades ainda se assemelham às dos mamíferos primitivos. Esses antigos mamíferos apresentavam sempre cinco dedos separados em cada membro, mas a maioria evoluiu para extremidades melhor adaptadas a correr, saltar, capturar a presa, cavar ou nadar. Apenas os primatas mantêm o padrão primitivo, acrescentando um polegar oponível, tanto nos membros anteriores como posteriores;
  • ausência de garras - facilita o acto de agarrar;
  • articulações com grande mobilidade - torna os primatas animais muito ágeis;
  • "articulação do ombro" - ao contrário da maioria dos mamíferos, os primatas conseguem rodar o braço para o lado ao nível do ombro;
  • adaptação à vida em sociedade -  promove a sua subsistência individual e perpetuação ao longo das gerações, uma vez que desta forma se facilita a protecção do grupo e a transmissão de conhecimentos; 
  • desenvolvimento das faculdades mentais - o desenvolvimento progressivo de faculdades mentais corresponde à existência de uma face maior em relação ao crânio e de um maior encéfalo, em relação ao corpo;
  • desenvolvimento dos hemisférios cerebrais -  tratam a informação sensorial e coordenam as respostas motoras, permitindo uma visão apurada;
  • adaptação a uma alimentação omnívora - facilita a adaptação a meios diversos.

Depois dos primatas...

Em 1758, Lineu tinha considerado todos os Homens como pertencentes à mesma espécie, Homo sapiens. Contudo, com o desenvolver das ideias evolucionistas, questionou-se pela primeira vez a origem do Homem.

Darwin considerou a espécie humana como o resultado de uma longa evolução, a partir de espécies ancestrais, por acção da selecção natural. Também considerou, pela primeira vez, que o Homem e os grandes símios actuais derivavam de um mesmo ancestral comum.  

No entanto, os restos fragmentados fossilizados que eram conhecidos não permitiram o esclarecimento devido da questão.

Evolução dos Hominídeos

Australopithecus

Os primatas Australopithecus são os primeiros hominídeos que se conhecem. Viveram na África oriental e do sul, entre 4 a 2 M.a.

Apresentavam um volume craniano semelhante ao dos símios (500 cm3) (Fig. 2) mas já tinham alguns caracteres humanos:

  • dentição primitiva, mas sem caninos salientes e com incisivos largos;
  • as mãos não eram usadas para andar como nos grandes símios actuais;
  • bacia larga e em forma de cesto, como num ser bípede.

Teriam, no máximo, 120 cm de altura e pesariam entre 27 a 32 Kg. Por outro lado, já tinham desenvolvido a "arte da pedra" aleatória, já que as pedras eram usadas ao acaso. Actualmente, pensa-se que talvez estes primatas pertençam a um "ramo colateral" da evolução humana.

Australopithecus

Fig. 2 - crânio fossilizado de Australopithecus

Homo habilis

Esta espécie seria constituída por indivíduos com 1,25 m de altura, dentes rígidos e calcificados, fixos aos maxilares superior e inferior.

O Homo habilis (Fig. 3) já seria capaz de trabalhar a pedra e construir todo um conjunto de instrumentos que lhe permitiriam caçar pequenas presas e colher frutas e vegetais.

Homo habilis
Fig. 3 - representação de um indivíduo  Homo habilis

Homo erectus (Fig. 4)

Esta espécie terá vivido entre 2,5 M.a. e 130000 anos atrás.  Apresentava uma capacidade craniana de 900 cm3 e um acentuado prognatismo (saliência da zona inferior da face) mas sem queixo. A sua postura era nitidamente erecta (daí a sua designação), revelando um significativo aumento de estatura em relação aos seus ancestrais Australopithecus.

Foi o primeiro hominídeo a dominar o fogo, o que lhe permitiu reduzir a musculatura da mastigação na face, já que a carne cozida é mais macia. O fogo permitiu, também, a expansão do seu território para zonas mais frias.

Já caçava animais de grande porte, o que denota organização e espírito de grupo. Desenvolveu também a "indústria lítica", com separação de lascas, depois usadas como pontas de seta e facas. Migrou da África, onde surgiu, para a Europa e para a Ásia.

Homo erectus

Fig. 4 - representação de uma população de Homo erectus

Homo sapiens neanderthalensis 

O chamado Homem de Neanderthal (Fig. 5) viveu entre 50000 e 35000 anos atrás, durante o último período glaciar.

Os ossos do crânio são espessos, embora menos do que os do Homo erectus, com uma espantosa capacidade craniana de 1300 a 1750 cm3, superior à do Homem moderno. O crânio apresenta uma característica forma de sino, baixo e com uma reduzida testa. De constituição atarracada, viveram principalmente na Europa ocidental e Médio Oriente.

As suas características tão especializadas parecem mostrar que não é um antepassado do Homem moderno, mas sim um "ramo colateral" da sua evolução que se extinguiu.

Homem de Neanderthal

Fig. 5 - representação de um Homem de Neanderthal

Homo sapiens sapiens (Fig. 6 e 7)

A espécie a que pertence o Homem moderno terá surgido numa região compreendida entre a Etiópia e o Próximo Oriente.

São mais altos e menos possantes que os Homens de Neanderthal, sem arcadas supraciliares salientes, com testa direita e ossos do crânio leves. O queixo é bem desenvolvido e a face é ortognata (plana).

Instalaram-se em aldeias e tornaram-se agricultores, após a última glaciação. Este Homem moderno é ainda considerado o criador do "supérfluo", como a arte e as diversões.

As diferenciações geográficas características das chamadas raças terão surgido há cerca de 30000 anos.

Homo sapiens sapiens1Homo sapiens sapiens2

Fig. 6 e 7 - representação de um indivíduo Homo sapiens sapiens

O que distingue o Homem das outras espécies de primatas?

Características morfológicas

  • cérebro de grande capacidade, tanto funcional como em tamanho (o mínimo de um Homem é 1000 cm3 e o máximo de um gorila é de 650cm3);
  • caixa craniana maior que a face;
  • face vertical com arcada supraciliar reduzida, maxilar inferior pouco saliente e com dentes de tamanho regular;
  • cabelo longo de crescimento contínuo e pêlos corporais escassos;
  • mãos com polegares bem desenvolvidos e oponíveis, pernas 30%  mais longas que os braços e mais fortes, dedo grande do pé não oponível;
  • corpo com camada de gordura subcutânea;
  • dentes em arcada arredondada, caninos pequenos e pré-molares bicúspides;
  • infância e maturação esquelética prolongada;
  • bipedismo - o corpo apoia-se exclusivamente nos membros inferiores e a deslocação efectua-se assentando alternadamente os pés, com um balanceamento do corpo.

Aspectos evolucionistas

  • evolução do cérebro - há autores que consideram que a evolução do cérebro é a principal causa do desenvolvimento da espécie humana. Parece mesmo existir uma simultaneidade entre o surgimento do bipedismo e o aumento de volume do cérebro;
  • linguagem articulada - característica exclusivamente humana, distinta dos outros animais pelo facto do Homem ser capaz de veicular símbolos, ideias e noções abstractas. 

Aspectos culturais

  • Este conjunto de características, embora tenha uma grande importância para a espécie humana, também é comum a algumas espécies de primatas. Além da herança genética e hereditária, existe a herança social (não ligada à hereditariedade genética), que permitiu o progresso humano em cada geração.

O Homem evoluiu do macaco?

Existem vários autores que, ao analisar atentamente o percurso evolutivo do Homem e as características por ele apresentadas ao longo deste processo, afirmam que os Primatas Superiores actuais não são Ancestrais do Homo Sapiens!

São na verdade o resultado de uma linhagem evolutiva paralela, que é muito "aparentada" com a espécie humana.

Concluo dizendo que a espécie humana, que está actualmente no "topo da hierarquia" existente na Natureza, é o resultado de um longo e atribulado processo evolutivo (Fig. 8). No entanto, a nossa evolução não estagnou e continuamos certamente a evoluir no sentido do aparecimento de populações humanas possuidoras de genes que as dotem de características ainda mais vantajosas para a adaptação e colonização dos mais diversos ambientes.

Evolução do Homem

Fig. 8 - esquema representativo da evolução do Homem

Para visualizar uma apresentação Power Point sobre a evolução da espécie humana, consulte o seguinte site:

http://www.slideshare.net/guest5484d9/evoluo-humana-1874521 (informação em português)

Pedro Faustino

nº23        11ºB


Publicado por vhony às 21:00:16 - Sem comentários

Síndrome de Turner

 

As mutações correspondem a alterações no genoma de um indivíduo. Quando essas mutações envolvem um só gene ou um número restrito de genes designam-se por mutações génicas. Por outro lado, se essas mutações forem mais extensas, envolvendo os cromossomas, designam-se por mutações cromossómicas, que podem ser numéricas ou estruturais. A Síndrome de Turner resulta de mutações cromossómicas numéricas que envolvem os cromossomas sexuais.

Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma doença, ou seja, as características que definem um tipo de doença e as diferencia das outras.

Com a realização deste trabalho pretendo fazer uma abordagem sumária sobre as causas, a sintomatologia e o possível tratamento da Síndrome de Turner, o qual se caracteriza por uma alteração genética em que está implicada a perda de um cromossoma X e que ocorre durante a divisão celular, mais especificamente durante a disjunção dos cromossomas homólogos (anafase I da meiose), sendo o cariótipo destes indivíduos representado por 45,X0.

A maioria dos doentes demonstra capacidade de escolarização e adequada realização familiar, profissional e social. Mas em Portugal ainda existe pouca informação, a falta de conhecimento da população sobre a Síndrome provoca o isolamento dos doentes.

 

- Síndrome de Turner

A Síndrome de Turner é bastante rara afectando apenas indivíduos do sexo feminino. São Monossómicos, ou seja nos exames para determinar o cariótipo revelam a presença de apenas 45 cromossomas, sendo que no par de cromossomas sexuais existe apenas um X, por isso o seu cariótipo é representado por 45,X0. Um indivíduo normal possui 46 cromossomas, dos quais dois são sexuais, XY se for do sexo masculino, e XX do sexo feminino.

A Síndrome de Turner é estimado que ocorra em uma mulher em cada 3000 nascimentos, isto porque tem uma elevada taxa de abortos. Esta Síndrome ocorre devido à não disjunção dos cromossomas sexuais durante a meiose (divisão equacional).

Considera-se que esta patologia grave seja responsável por 15% a 20 % dos abortos espontâneos. Apenas 40% das doentes com Síndrome de Turner que engravidam conseguem gerar um bebé vivo e saudável.

As crianças que apresentam esta síndrome são identificadas ao nascimento (apresentam edemas no dorso do pé ou antes, da puberdade pelo facto de possuírem características fenótipicas distintas (amenorreia – ausência de menstruação).

 

 

 Fig.1- Cariótipo humano com a Síndrome de Turner 
 

- Características e Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome de Turner é feito através de um estudo cromossómico, sendo 1/3 destes doentes diagnosticados no período neo-natal, 1/3 na infância e as restantes na adolescência.

            A imaturidade do desenvolvimento sexual, pescoço curto e baixa estatura são as alterações mais características da síndrome de Turner, bem como as anomalias cardiovasculares. No entanto, a esperança média de vida e a capacidade intelectual é geralmente considerada absolutamente normal.

As doentes têm também tendência para a obesidade, ausência do desenvolvimento das gónadas, ausência do desenvolvimento das características sexuais secundárias, tórax largo com mamilos amplamente espaçados e uma elevada frequência de anomalias renais e cardiovasculares (mais frequentes na aorta).

O diagnóstico da Síndrome de Turner é portanto realizado pela observação do cariótipo (usualmente é retirado uma amostra de sangue periférico). Quanto maior for a contagem de células, maior é a probabilidade de identificar mosaicos. Se houver suspeita clínica e o cariótipo for 46, XX no sangue periférico deve-se considerar estudar outros tecidos, visando assim a identificação de mosaicismo (o mesmo indivíduo possui dois ou mais tipos de células diferentes). Para a confirmação do resultado do diagnóstico é necessária uma confirmação citogenética.

 

 

 Fig.2- Características fenotípicas
 

- Desenvolvimento/Evolução da Doença

Como já tinha sido referido, a esperança média de vida nestes indivíduos é normal.

A puberdade, altura em que se pode constatar a desaceleração de crescimento, é onde se torna mais notória a baixa estatura.  Os problemas associados a esta síndrome são secundários e envolvem os sistemas auditivos, ocular, linfático, urinário, genital, imunitário, entre outros.

Doenças auto-imunes como o hipotiroidismo e diabetes mellitus são bastante frequentes. A obesidade quando presente também deve ser tratada de forma adequada. Tanto as dificuldades escolares como as comportamentais podem afectar este grupo de crianças, mas globalmente não parece ser um problema significativo.

 

 
 
Fig.3- Mulher com a Síndrome de Turner

 

- Tratamento

A Síndrome de Turner é uma doença genética que não tem cura, mas algumas das suas consequências podem ser menorizadas.

As hormonas de crescimento podem ser um combate à baixa estatura através de injecções das mesmas, a infertilidade com uma terapia à base de estrógenios (tem sido utilizada para promover o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários) e recorrendo também a novas técnicas de reprodução medicamente assistidas (usadas para ajudar mulheres com esta doença a engravidarem).

A infertilidade afecta a grande maioria destas mulheres, embora a terapia à base de estrógenios não resolva totalmente o problema totalmente, pode levar ao aparecimento de caracteres sexuais secundários e ao aparecimento da menstruação.

A orientação precoce para a consulta de endocrinologia é importante, é de reparar também que além dos problemas médicos que apresentam, também estão associadas a questões comportamentais. As anomalias cardíacas podem implicar cirurgia correctiva. A hipertensão arterial para além de estar associada a problemas cardíacos, pode também ser consequência de complicações renais e o profissional de saúde deve estar atento.

Para a prevenção do aparecimento da Síndrome, é necessário um aconselhamento genético. O risco de ocorrência desta Síndrome não aumenta num casal que já teve um filho com esta doença. As mulheres que sejam “mosaico” devem fazer um diagnóstico pré-natal pois existe um grande risco de anomalias cromossómicas em futuros filhos.

 

Sílvia Serrano nº25 11ºB


Publicado por vhony às 02:37:15 - Sem comentários

13 December

Citarabina como tratamento para o cancro

O que é um tumor?

Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células. No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células.

 

Algumas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite (proliferação descontrolada) , as células velhas não morrem (diminuição da apoptose) e as novas células formadas permanecem indiferenciadas. Este conjunto de células extra forma um tumor.

Porque se desenvolve?

Quase todos os tumores são causados por anomalias no material genético das células. Estas anomalias podem ser resultado dos efeitos de carcinógeneos, como o tabagismo, radiação, substâncias químicas ou agentes infecciosos. Outros tipos de anormalidades genéticas podem ser adquiridas através de erros na replicação do DNA, ou são herdadas, e consequentemente encontra-se em todas as células desde o nascimento, o que faz com que o individuo tenha maior predisposição de vir a desenvolver um tumor.

Quais as diferenças entre um tumor maligno (cancro propriamente dito) e um tumor benigno?

Quando a massa de células extra permanece no seu local de origem trata-se de um tumor benigno; as células ficam como que envolvidas por uma membrana que impede que se alastrem e que se desenvolvam rapidamente.  Assim, a formação de um tumor benigno também se deve à proliferação anómala de algumas células de um tecido, mas estas mantêm características semelhantes às originais e não se reproduzem com a mesma velocidade e intensidade do que as que constituem um tumor maligno.

Para além se se expandirem muito rapidamente a nível local as células dos tumores malignos têm a capacidade de se introduzir nos vasos linfáticos e sanguíneos, chegando a pontos mais ou menos distantes do foco primitivo, onde se instalam e reproduzem novos tumores semelhantes ao original, as chamadas metásteses.

Assim a principal diferença entre um tumor maligno e benigno é a sua capacidade de metastização (de se alastrar pelo organismo).

 

 

06 December

Bactérias que despoluem terrenos contaminados

O tratamento de terrenos contaminados com compostos orgânicos e metais pesados - como antigas bombas de gasolina - pode tornar-se mais fácil e económico graças aos resultados obtidos por um grupo de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), num projecto envolvendo bactérias. O trabalho ainda se encontra numa fase laboratorial, mas os resultados "são bastante promissores", dizem os os responsáveis da equipa. De tal forma que até já há quem queria testar o projecto no terreno, garantem, sem adiantar pormenores.

 

 

 

 

Cristina Delerue-Matos, responsável do Grupo de Reacção e Análises Químicas (GRAQ) do ISEP, explica que "o projecto começou com uma investigação do professor Paolo De Marco, que já estava a estudar o trabalho das bactérias na limpeza de solos contaminados". "No decurso da experiência isolou algumas bactérias que tinham demonstrado maior resistência à presença de metais pesados", explica esta investigadora.

É que um dos principais obstáculos na remediação de solos contaminados com o recurso a bactérias é precisamente a sua grande sensibilidade à presença de metais pesados, mais tóxicos para elas, e que acabam por reduzir significativamente a sua actividade.

Embora, normalmente, em ambiente de laboratório, as bactérias apresentem bons resultados ao nível da recuperação dos solos, já no terreno surgem por vezes resultados não tão positivos. Isto apesar de a nível mundial já ser frequente o recurso à remediação de solos através de processos biológicos, até pelo facto de estes envolverem baixos custos.

No trabalho levado a cabo pelos investigadores do GRAQ, e que foi realizado em parceria como o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), procurou-se perceber "até que ponto era possível degradar compostos orgânicos dos solos na presença de metais pesados", explica Cristina Delerue-Matos.

Para isso foram usadas bactérias dos conjuntos Methylobacterium (estirpes PM1, Mi1 e F5.4) e Methylophilus (estirpe Ehg7), que, no trabalho de Paolo De Marco, se mostraram mais resistentes aos metais pesados (ver texto ao lado).

Além disso, na investigação, foram igualmente usados dois compostos orgânicos que, habitualmente, aparecem mais em solos contaminados com gasolinas ou solventes de metais: o tricloroetileno (TCE) e o éter terc-butil metílico (MTBE).

De acordo com os investigadores, os resultados alcançados são promissores, uma vez que, nos solos contaminados, as bactérias mantiveram a sua capacidade de degradação desses compostos orgânicos.

 

 

1-Cristina Delerue-Matos

 

Cristina Delerue-Matos refere ainda que esta técnica de biorremediação dos solos, "além de ser mais eficiente e económica", poderá degradar eficazmente o poluente e, deste modo, tornar o terreno, após tratamento, reutilizável para diversos fins e com custos mais reduzidos quando comparados com tecnologias alternativas.

Por norma, explica, "em solos contaminados com gasolina é usual utilizar a técnica de extracção de vapor, que cria correntes de ar nos solos e que, deste modo, permite a remoção dos vapores tóxicos do solo". Uma técnica que, naturalmente, implica um esforço financeiro muito menor.

 

 

Maria Belo

Nº 21

11ºB

 


Publicado por Maria Belo às 21:33:33 - Sem comentários

Primeiro bebé clonado pode nascer em dois anos

    O controverso médico norte-americano Panayiotis Zavos, que se dedica à clonagem humana, garante já ter conseguido criar 14 embriões e até implantado 11 em quatro mulheres. Está, por isso, confiante que o nascimento do primeiro bebé será em breve. Zavos é procurado por casais inférteis, mas também por pais que querem clonar os filhos mortos.

    O primeiro bebé clonado pode nascer dentro de dois anos. Pelo menos foi isso que Peter Williams, autor de um documentário sobre o trabalho do polémico médico Panayiotis Zavos, disse à Sky News Online. "O Dr. Zavos registou um crescimento vigoroso em 30 células embrionárias antes de as transferir para o útero e é por isso que ele está optimista quanto ao nascimento do primeiro bebé clonado dentro de dois anos", conta Peter Williams.

    O autor do documentário sobre o trabalho de clonagem do controverso especialista garante ainda que o projecto já atingiu uma fase avançada e que esta pode vir a ser uma "forma viável de tratamento para a infertilidade". Panayiotis Zavos, desprezado por grande parte da comunidade científica pelo seu comportamento ético, trabalha actualmente num laboratório secreto, que se pensa estar localizado algures no Médio Oriente, num país onde a tentativa de criação de um ser humano geneticamente idêntico a outro não seja proibida.

    O especialista, já terá implantado embriões clonados em quatro mulheres, uma delas britânica. Zavos garante ainda que mais de 100 casais já o procuraram para terem um bebé clonado.

     A técnica usada por Panayiotis Zavos é a mais comum e permite criar cópias genéticas dos pais, usando apenas o óvulo vazio da mãe. Além dos casais que querem vencer a infertilidade, o especialista também trabalha com as células de pessoas que já morreram. Um desses casos é Cady, uma criança norte-americana vítima de um acidente de carro, aos dez anos. As suas células sanguíneas foram congeladas e enviadas a Zavos pela mãe. O embrião clone de Cady foi feito com o recurso a um óvulos de vaca. Este híbrido de humano e animal não foi transferido para nenhum útero, mas o médico acredita que estas células podiam dar origem a um clone perfeito de Cady.


 

     No entanto, a classe científica já reagiu aos supostos avanços de Zavos. Josephine Quintavalle, fundadora do Conselho para a Ética da Reprodução, aconselha os cientistas a pensarem nos interesses da criança que vai nascer. "Temos de perguntar porque é que as pessoas querem um clone - é fisicamente perigoso", alerta a cientista, citada pela Sky News Online. De facto, o risco de malformações congénitas graves é um dos principais entraves à técnica.

     Mas as questões éticas são provavelmente mais fortes do que as científicas. "Colocar sobre uma criança que vai nascer a carga de alguém que morreu e que estamos a tentar substituir é privar essa criança da sua singularidade", critica Quintavalle. As tentativas de clonagem humana começaram após a criação da ovelha Dolly.

 

 

 

 

Manuel Castel-Branco nº 17 11ºB


Publicado por Manuelcb às 20:15:19 - Sem comentários

21 November

 

Cientistas estão próximos de recriar a origem da vida em laboratório

 

 

Uma dupla americana produziu duas moléculas capazes de se auto-replicar;

Ambas são feitas de RNA, substância que é tida como sendo originária do DNA.

 

A origem da vida

Recriar a origem da vida em laboratório é um dos maiores desafios da ciência. Mais do que a complexidade dos processos envolvidos, o maior obstáculo é a falta de tempo, os cientistas não dispõem de vários milhares ou até milhões de anos na bancada para esperar que tudo aconteça diante dos seus olhos. Desta forma, todo o processo precisa de ser recriado em partes. E a que pode ser a mais importante delas acaba de ser produzida por uma dupla de cientistas americanos.

Tracey Lincoln e Gerald Joyce, do Instituto de Pesquisa Scripps, em La Jolla, na Califórnia, conseguiram ensaiar os primeiros passos a que os cientistas chamam de "mundo de RNA". Eles produziram moléculas extremamente simples que são capazes de se replicar e expressar um código genético rudimentar. Os seus sucessos foram reportados on-line pelo jornal científico americano "Science".

O problema do surgimento da vida é um dos mais intratáveis do ponto de vista científico. Além da já referida falta de tempo dos cientistas para conduzir as experiências, há também, um dilema adicional: as criaturas actuais fazem emergir a velha dúvida, "quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?", em versão biomolecular.  

Eis a questão: todos os seres vivos conhecidos até hoje têm, de um lado, uma molécula específica para guardar as suas informações genéticas, trata-se do famoso DNA, uma espécie de "manual de instruções" para a construção e o metabolismo de um indivíduo vivo. De outro lado, as estruturas e ocorrências que se dão no interior desse indivíduo são propiciadas pelas proteínas, moléculas complexas em geral, construídas a partir do código armazenado no DNA (através da síntese proteica).  

Ocorre que é improvável que esses dois factos tenham surgido individualmente e ao mesmo tempo tenham depois se reunido para formar a primeira criatura viva. Alguma estratégia, mais simples, deve ter sido precursora do actual "formato" da vida na Terra.

 

"Mundo de RNA"

Há uma molécula que, hoje em dia, serve para funções "subalternas" nas células. É o RNA molécula que, actualmente, serve (por exemplo) para transportar a informação contida no DNA, localizado no núcleo da célula, até aos ribossomas, posicionados fora do núcleo.

 Mas os cientistas observaram que, em dadas circunstâncias, o RNA pode fazer mais que ser a molécula transportadora da informação genética. Às vezes, ele também pode agir directamente no metabolismo, "actuando" de forma similar às proteínas. Eis então, pensaram os biólogos, a estratégia mais simples para o início da vida: tudo teria começado com o RNA, realizando a árdua tarefa de "fazer-tudo".

É justamente este modelo que acaba de ganhar uma força imensa, directamente da bancada de Lincoln e Joyce. A dupla criou duas pequenas moléculas de RNA que, em parceria, promovem a sua própria replicação. Sendo necessário neste processo: "Enzimas de RNA de replicação cruzada que passam por amplificação exponencial auto-sustentada na ausência de proteínas e outros materiais biológicos", descrevem os cientistas em seu artigo na "Science". Eles apontam que o conjunto de RNA auto-replicantes duplica, aproximadamente, a cada hora. E continuam, indefinidamente, se os recursos que necessitam estejam disponíveis em seu redor.

 

Evolução em andamento

Outra questão que os cientistas americanos conseguiram observar foi a selecção natural*, tal qual descrita por Charles Darwin, em franca operação.

Várias versões diferentes das moléculas de RNA auto-replicantes foram produzidas e colocadas no mesmo substrato. Após gerações de "reprodução", os cientistas notaram que algumas delas saíram "vencedoras" e dominaram completamente a disputa por recursos. Com isso, ficou demonstrado também que, além do papel na replicação, as fitas de RNA também tinham papel como um sistema genético, que podia ser submetido à selecção natural. 

 

Conclusão

 

A realização desta experiência laboratorial é, sem dúvida, um passo importante para explicar como a vida pode ter surgido e se apoderado dos recursos da Terra acerca de 4 bilhões de anos atrás. Mas é a solução do mistério? 

Claro que não. De um lado, ainda fica o enigma de como essas fitas de RNA auto-replicantes poderiam ter aparecido, a partir da chamada "sopa primordial" de compostos orgânicos existentes na Terra primitiva.

Na outra ponta, ainda resta explicar como essas precursoras da vida em forma de RNA evoluíram para ganhar tantas estruturas e complexidade, como um sistema genético com DNA e proteínas altamente sofisticadas estando na base do metabolismo das células.

 

* selecção natural é um processo da evolução proposto por Charles Darwin e aceito pela comunidade científica como a melhor explicação para a adaptação e especialização dos seres vivos.

 

 

Sílvia Serrano nº25 11ºB

                                    


Publicado por silviaserrano às 02:56:03 - Sem comentários

15 November

Criopreservação

Finalmente uma solução para todos os males do corpo humano?

Hoje em dia reparamos que temas como "células estaminais" e "sangue do cordão umbilical" começam a estar cada vez mais presentes no nosso quotidiano. E relacionado com estes assuntos surge o conceito de criopreservação. Mas afinal em que é que esta consiste e para que serve? Para responder a esta questão torna-se útil clarificar em primeiro lugar os temas referidos.

O que são células estaminais?

As células estaminais são células indiferenciadas que estão presentes em todas as fases de desenvolvimento de um ser vivo, desde o embrião ao seu estado adulto e, por isso, possuem a capacidade de se diferenciar (isto é, de se poderem transformar em diversos tipos de outras células que constituem o organismo), de se auto-renovar e de se dividir indefinidamente (no tempo). No entanto, as células estaminais obtidas nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário, a partir da massa interna do blastocisto (segundo estado de desenvolvimento do embrião dos animais e fase em que ocorre a nidação), sendo totipotentes, conseguem gerar um ser vivo na sua totalidade (têm maior potencial de diferenciação).

Embrião

Fig.1 - embrião humano (célula totipotente)

No organismo adulto também se encontram células estaminais em diferentes órgãos e tecidos (desde a medula óssea ao sangue do cordão umbilical), embora estas já apresentem uma certa diferenciação consoante o órgão que constituem. Porém, está provado que, comparativamente ao transplante de células estaminais provenientes da medula óssea, o transplante das células oriundas do sangue do cordão umbilical possui mais vantagens, já que:

  • O método de recolha é indolor e não invasivo;
  • Não apresenta riscos para o dador;
  • Comporta menor risco de infecção;
  • A acessibilidade do transplante é mais fácil;
  • A incidência de doença do transplante contra o hospedeiro é de 10% (enquanto na medula óssea é de 60%);
  • Os custos associados são significativamente menores;
  • A probabilidade de encontrar dador disponível é maior.

Qual é o objectivo da criopreservação?

O objectivo da criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical é permitir que estas estejam disponíveis no futuro, para que possam ser utilizadas quando necessário.

Quais as vantagens de criopreservar as células do do sangue do cordão umbilical do bebé?

O sangue do cordão umbilical constitui uma valiosa fonte de células estaminais pluripotentes (células que apresentam um potencial de diferenciação elevado mas inferior ao potencial de diferenciação de células totipotentes). Estas, recebendo neste caso a designação de células hematopoiéticas, apresentam uma grande capacidade de proliferação e expansão, podendo diferenciar-se nos diferentes tipos de células do sistema hematológico e imunológico. Podem diferenciar-se igualmente em progenitores mielóides, que por sua vez, dão origem aos elementos celulares do sangue, como os eritrócitos e as plaquetas (Fig. 2).

No entanto, o sangue do cordão umbilical não possui apenas células estaminais hematopoiéticas. Tal como a medula óssea, possui células estaminais mesenquimais, com capacidade de se diferenciarem em linhagens mesodérmicas e dar origem a tecidos do osso ou de cartilagem. As células do sangue do cordão umbilical podem ainda diferenciar-se em células estaminais somáticas não restritas. Estas células, com elevado potencial proliferativo, têm a capacidade de se diferenciar em várias linhagens celulares, podendo originar células neuronais (Fig. 3), ósseas, sanguíneas, hepáticas e cardíacas. Adicionalmente, o sangue do cordão umbilical contém células progenitoras endoteliais, que se podem diferenciar em células vasculares, as quais são responsáveis pela formação de novos vasos sanguíneos, podendo ser utilizadas na recuperação de danos vasculares que ocorrem em inúmeras patologias.

Células 1Neurónios

Fig. 2 e 3 - exemplos de células diferenciadas resultantes da diferenciação das células estaminais do sangue do cordão umbilical

São várias as aplicações das células estaminais que podem contribuir para uma diminuição da morbilidade e até da mortalidade dos dadores e dos seus familiares através de transplantes autólogos (do próprio para o próprio) e heterólogos (do próprio para outros que sejam compatíveis). Em resumo, podemos destacar as seguintes vantagens fundamentais:

a) Protecção para o bebé: se o bebé necessitar das células previamente recolhidas não existe possibilidade de rejeição, sendo estas 100% compatíveis com o próprio dador.

b) Protecção para a família: a probabilidade das células do bebé serem compatíveis com familiares directos é bastante elevada.

c) Disponibilidade imediata em caso de necessidade de utilização das células.

d) Método de recolha simples e completamente indolor para a mãe e bebé.

Que aplicações terapêuticas estão relacionadas com a criopreservação?

Já se conhecem vários casos clínicos de sucesso em que se utilizaram células do cordão umbilical para tratamentos. Estudos feitos em diversos contextos (em que o dador e receptor são a mesma pessoa, ou o dador e receptor são pessoas diferentes ou em contexto experimental) demonstraram a sua eficácia para uma grande diversidade de anemias, síndromas e deficiências, encontrando-se actualmente em investigação a possibilidade da sua aplicação para o tratamento de doenças como Esclerose Múltipla, Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Artrite Reumatóide e Diabetes.

Quais as empresas que se dedicam à criopreservação?

Actualmente existe uma grande variedade de boas empresas destinadas à criopreservação. Por exemplo, o projecto Birth & Babycare actua em parceria com a BebéVida e a Crioestaminal. Estas empresas, estando dotadas de profissionais especializados e qualificados, enquadrados num contexto de controlo e responsabilidade, asseguram os mais elevados índices de fiabilidade e desempenho técnico-científico da criopreservação em Portugal.

Para conhecer o funcionamento das empresas em Portugal que se dedicam à criopreservação, consulte os seguintes sites:

http://www.bioteca.pt/ (informação em português)

http://www.crioestaminal.pt/pt/ (informação em português)

O que fazer para poder guardar o sangue do cordão umbilical do bebé?

          a) Solicite o Kit de recolha de sangue com algum tempo de antecedência (preferencialmente dois meses antes da data prevista para o parto), a uma das muitas empresas que existem no mercado. O Kit contém todo o material e informações necessárias para que a equipa de saúde que assiste o parto possa fazer a recolha do sangue do cordão umbilical do bebé. Certifique-se ainda que faz as análises exigidas (Hepatite B e C, HIV I e II, Sífilis-VDRL- e Citomegalovírus - IgG e IgM).

          b) No dia do parto entregue o seu kit à equipa médica que o for a assistir e sempre que possível informe previamente o seu médico da intenção de recolher o sangue do cordão umbilical.

          c) Após o parto, contacte a respectiva empresa transportadora para que possam ir buscar o sangue recolhido ao hospital. Até lá, este deverá ser mantido à temperatura ambiente.

Note-se que o sangue do cordão umbilical pode ser colhido para várias aplicações. Os bancos públicos de armazenamento de sangue do cordão podem recolhê-lo e utilizá-lo para a transplantação heteróloga. Porém, este pode também ser recolhido por bancos privados a pedido dos pais e financiado pelos mesmos, para uso da própria criança (transplantação autóloga), caso esta venha a necessitar. Contudo, em Portugal apenas existem bancos privados, ou seja, cabe a cada um apostar ou não neste investimento.

É ainda de salientar que existem algumas situações em que a colheita de células do sangue do cordão umbilical está contra-indicada, nomeadamente aquelas em que se encontram anomalias génicas ou cromossómicas no feto.


O que acontece ao sangue do cordão umbilical?

Após o transporte do sangue recolhido por uma empresa especializada para um laboratório, este é analisado e dá-se início ao processo de isolamento e criopreservação das células estaminais. As unidades ficarão congeladas em azoto líquido a -196º C, durante um mínimo de 20 anos (conservando a sua vitalidade). A partir deste momento, o beneficiário, nessa altura já adulto, terá que decidir se quer ou não prosseguir com o armazenamento. Se decidir fazê-lo terá que pagar uma taxa adicional pelo período adicional contratado.

Cripreservação 1

Fig. 4 - esquema exemplificativo de vários processos de criopreservação

Quais as razões para o eventual insucesso da criopreservação?

Não é certo que a criopreservação seja sempre bem sucedida. Porventura, pode-se mesmo verificar um insucesso deste processo, por erros associados à recolha das células e até mesmo por variações das características do próprio cordão umbilical: 


- Volume de sangue recolhido insuficiente;
- Processo de corte do cordão umbilical demasiado lento (quanto mais rápido este for, maior será o número de células recolhidas);
- Alterações no próprio tamanho do cordão umbilical.

Breve referência histórica

O estudo do sangue do cordão umbilical teve início em 1982. Nessa época, experiências laboratoriais efectuadas por Broxmeyer e Boyse sugeriam que o este material continha células estaminais hematopoiéticas que poderiam ser usados em processos de transplantação.

Em 1988, em Paris, Glukman e colaboradores realizaram o primeiro transplante de células estaminais do cordão umbilical numa criança com Anemia de Fanconi, tendo recorrido a uma reserva de sangue do cordão umbilical de um familiar, anteriormente recolhida e criopreservada. Os resultados foram um sucesso e a criança teve alta após cinco meses. Desde então inúmeros transplantes têm sido efectuados em diferentes regiões do mundo.

Em Portugal, o primeiro transplante realizado com uma amostra criopreservada num banco privado aconteceu em 2007 numa criança de 14 meses após o diagnóstico de Imunodeficiência Combinada Severa, recorrendo ao sangue do cordão umbilical do seu irmão, que os pais tinham guardado. O transplante foi realizado com sucesso.

Criopreservação 2Criopreservação 3
Fig. 5 e 6 - exemplos de fases da criopreservação de células estaminais

Posso concluir dizendo que, pelas suas características, o sangue do cordão umbilical constitui uma fonte promissora para a terapia celular.

Pedro Faustino

nº23         11ºB

 


Publicado por vhony às 23:56:34 - Sem comentários

Recentemente, nas aulas de Biologia, falámos sobre a formação de cancros. Vamos tentar saber mais sobre este tema...  

O que é o cancro?  

 A palavra cancro é utilizada genericamente para identificar um vasto conjunto de doenças: os tumores malignos.

Mas será que todos os tumores são cancros? Não; existem 2 tipos de tumores, os malignos e os benignos (neoplasia é também uma designação frequente para tumor)

 

 Tumores Benignos:

  •  Não cancerosos;
  • Têm um crescimento lento;
  •  São capsulados;
  • Não invadem tecidos;
  • Fáceis de remover cirurgicamente, dependendo apenas da sua localização;

Nota: Os tumores benignos se não forem tratados, e se atingirem um órgão vital, podem levar à morte.

Tumores Malignos:

  • São Cancerosos;
  • Têm células estruturalmente anormais;
  • Têm um crescimento rápido;
  • Invadem os tecidos envolventes e metastizam (disseminar ou espalhar para diferentes partes do organismo);
  • São difíceis de remover cirurgicamente;

 

Existem três características das células malignas, que são:

  • Anomalias Estruturais:

Células Normais

Células Cancerosas

Têm um núcleo

2 ou 3 núcleos

46 cromossomas

Nº de cromossomas anormal

Membrana celular e citoesqueleto claramente bem definidos

Membrana celular e citoesqueleto pouco definido

 

  • Invasão de Tecidos:

As células cancerosas continuam a dividir-se, mesmo quando em contacto com outras células. Sem controlo, as células cancerosas invadem e destroem o tecido adjacente.

 

  • Metástase:

É a capacidade de metastizar (passa para outro local do organismo) um local distante do organismo.

Por exemplo: um tumor pode começar a crescer num osso e espalhar-se para outro órgão, como os pulmões.

O tumor primitivo é onde as metástases se originaram. Os tumores primitivos libertam constantemente células para a corrente sanguínea (onde parte delas morrem, ou são neutralizadas, mas uma em cada dez mil células cancerosas consegue sobreviver). Uma vez alojada, e se estiverem reunidas as condições necessárias para que esta possa crescer, então irá originar um novo tumor

 

Tipos de cancro

A classificação do cancro baseia-se no tipo de tecido do qual o tumor deriva:

 

Classe

Tecido de Origem

Exemplos

Carcinoma

Tecido epitelial

Cancros na pele, mama e pulmão

Adenocarcinoma

Tecido epitelial glandular

Cancro do rim

Sarcoma

Tecido Conjuntivo

Cancro do osso (osteosarcoma; sarcoma de Ewing)

Cancros hematológicos: Linfoma, Leucemia e Mieloma múltiplo

Tecido Linfático, sangue, medula óssea

Doença de Hodgkin

Leucemia linfática aguda

Cancro do SNC

Cérebro, medula espinhal

Glioma, astrocitoma

 


Como surge o cancro?

O cancro surge quando as células normais se transformam em células cancerosas ou malignas. Ou seja, adquirem a capacidade de se multiplicarem e invadirem os tecidos e outros órgãos.

A carcinogénese, o processo de transformação de uma célula normal em célula cancerosa, passa por diferentes fases. As substâncias responsáveis por esta transformação designam-se agentes carcinogéneos. São exemplos de carcinogéneos as radiações ultravioletas do sol, os agentes químicos do tabaco, etc.

Para que se desenvolva um cancro é necessário que, de forma cumulativa e continuada, se produzam alterações celulares durante um largo período de tempo, geralmente durante anos.

Como resultado, cresce o número de células que apresentam alterações de forma, tamanho e função e que possuem a capacidade de invadir outras partes do organismo.


Como é diagnosticado um cancro?

Um cancro pode ser suspeitado a partir de várias pistas: as queixas que o doente refere, a observação médica, diversos exames médicos (análises, TAC - tomografias axiais computorizadas e muitos outros – a definir consoante a circunstância) ou as achadas numa cirurgia.

Mas para confirmar o diagnóstico de um cancro é geralmente necessário uma amostra do tumor (biópsia). A análise dessa amostra permite determinar se a lesão é um cancro ou não. Este estudo dos tecidos (análise histológica)  permite classificar e saber, na maioria dos casos, quais são os tecidos e as células das quais provém o tumor e quais são as características das mesmas.

Causas conhecidas e suspeitas de provocarem cancro

  •  Factores Ambientais

Podem ser classificados em:

- Factores Químicos;

- Radiações;

 Qualquer destes tipos de radiações pode danificar o ADN.

 

Os factores químicos e as radiações podem originar:

  1. Factor Ambiental Mutagéneo: substância que danifica o ADN;
  2. Factor Ambiental Carcinogéneo: substância que danifica o ADN e provoca o cancro;

 

Exemplo:

                        Quem bebe álcool no dia-a-dia está a consumir um mutagéne.

            O fumo de um cigarro, pode levar ao cancro, visto que tem substâncias carcinogéneas.

            Quem bebe álcool e fuma, o risco de contrair cancro torna-se maior.

 

  •   Vírus

 

Através de vários estudos demonstrou-se que os vírus podem provocar o cancro nos animais. Após esta conclusão os cientistas suspeitam que os vírus também podem provocar o cancro nos humanos.

O Vírus é uma pequena partícula do ADN envolvido por um invólucro proteico.

Os vírus, por outro lado, são geneticamente “mal comportados”. Envolvidos por uma camada protectora, o vírus desloca-se procurando células para as invadir. Uma vez dentro da célula, a camada protectora degrada-se e o ADN viral passa a comandar o mecanismo celular da produção de ADN. O vírus usa a célula para se multiplicar a si próprio.

Em muitos casos, a “invasão” (mais propriamente chamada infecção) pode causar ao humano uns dias de gripe…, uma infecção mais devastadora, é uma infecção pelo vírus da SIDA, podendo levar à morte.

OS VIRUS PODEM PROVOCAR CANCRO.

 

  • Predisposição genética

 

Não podemos “herdar” cancro dos nossos pais do mesmo modo como herdamos a cor de olhos ou dos cabelos, mas podemos herdar características genéticas que podem predispor (preparar) o cancro. Esta predisposição pode significar que o seu ADN é mais susceptível aos mutageneos e aos carcinogeneos, aumentando a probabilidade de ocorrer mutação e transformação maligna.

 


Publicado por mel às 21:55:09 - Sem comentários

A origem da nossa capacidade de falar poderá residir num único gene.

Geneticamente, somos muito parecidos com os chimpanzés. Mas há pelo menos uma coisa que nos distingue radicalmente desses nossos "primos": nós falamos e eles não.

 

Então como é que essa profunda transformação surgiu ao longo da evolução?

Os efeitos distintos de um gene nos macacos e nos humanos pode explicar a razão de nós falarmos e eles não. Pouco se sabe ainda sobre os mecanismos biológicos da emergência da fala. Mas resultados publicados na edição de amanhã da revista Nature por Dan Geschwind, da Universidade da Califórnia, e colegas, sugerem que ela se deverá, em parte, à evolução de um único gene, mais precisamente: o desenvolvimento da capacidade de falar nos seres humanos modernos, concluem os cientistas, terá começado com umas alterações num gene chamado FOXP2, surgidas depois de o nosso ramo evolutivo se ter separado do dos outros primatas.

Essas alterações no FOXP2, por sua vez, provocaram duas mudanças na proteína fabricada pelo gene, que terão desencadeado uma série de acontecimentos celulares no cérebro humano e levado ao desenvolvimento da fala.

Já se sabia que o FOXP2 estava envolvido nas capacidades linguísticas, porque no ser humano as mutações neste gene provocam perturbações da fala e da linguagem. Agora, os cientistas compararam o efeito das duas versões do gene - a "ancestral", dos chimpanzés, e a humana actual - em células humanas e em tecidos humanos e de chimpanzé. E descobriram que os efeitos de cada versão do gene são diferentes: a proteína FOXP2 humana, cuja função é activar certos genes cerebrais e desactivar outros, não apresenta o mesmo padrão de activação que a proteína dos chimpanzés. "Descobrimos que um número significativo dos genes-alvo [da proteína FOXP2] têm uma expressão diferente nos cérebros humano e de chimpanzé", diz Geschwind. "Não só as [duas versões] do [gene] FOXP2 são diferentes, como também funcionam de forma diferente. Os nossos resultados poderão permitir perceber por que os humanos nascem com os circuitos cerebrais necessários à fala e à linguagem, mas não os chimpanzés", salienta.

 

"Graças à identificação dos genes influenciados pelo FOXP2", diz Genevieve Konopka, co-autora, "temos um novo conjunto de ferramentas para estudar como a linguagem humana é regulada ao nível molecular."

O que poderá permitir, segundo o mesmo documento, perceber as perturbações da fala associadas ao autismo ou a esquizofrenia - e talvez, um dia, encontrar formas de as atenuar.

Diogo Gomes Ventura

Nº7                     11ºB


Publicado por diogo93 às 18:56:50 - Sem comentários

31 October

 

 

 

 

As mutações são alterações permanentes na informação genética contida no DNA. Podem ocorrer em células germinativas ou em células somáticas. No caso das primeiras, as alterações são transmitidas á descendência, mas no caso das segundas, apenas são identificáveis no indivíduo.

 


As mutações podem ter um efeito benéfico, neutro ou prejudicial. Os efeitos benéficos conduzem á evolução das espécies, devido a uma melhor adaptação. Por vezes, das alterações não resulta um efeito nem positivo nem negativo, pois a alteração não é determinante para a sua função. No caso das alterações prejudiciais há uma incompatibilidade com o funcionamento normal, causando seres inadaptados ou mortes prematuras.

Tratemos agora de uma mutação em particular, o albinismo.

 

A palavra albinismo deriva do latim albus (branco) e refere-se à incapacidade de um indivíduo ou animal de fabricar um pigmento denominado melanina (do grego melan, negro), que dá cor à pele e protege da radiação ultravioleta do Sol.

 

O Albinismo é uma mutação genética que tanto pode afectar indivíduos masculinos como femininos e até mesmo animais (é frequente em coelhos, cavalos, porcos, peixes e tigres) e plantas.

 
 

O albinismo impossibilita a produção de pigmentos naturais do corpo. A cor da pele é determinada por uma combinação dos pigmentos produzidos na pele e das cores naturais das camadas superiores da pele. Sem pigmentação, a pele teria uma coloração branca – pálida com tonalidades variáveis de rosa decorrentes do fluxo sanguíneo, através da pele.
O principal pigmento da pele é a melanina, um pigmento castanho-escuro sintetizado por células (melanócitos) que estão dispersas entre as outras células da camada superior da pele, a epiderme.

O albinismo surge devido a um bloqueio incurável da síntese de melanina. A ausência da enzima tirosinase nos melanócitos, os quais estão, entretanto, presentes em número normal, impossibilita a produção do pigmento. A melanina distribui-se por todo o corpo, dando cor e protecção à pele, cabelos e à íris dos olhos. Quando essa substância não é produzida, ocorre a hipopigmentação, também conhecida por albinismo.

Existem três tipos de Albinismo:

  • Albinismo Completo ou Óculo-Cutâneo ou Tiroxinase-Negativo:  Os indivíduos apresentam pele e pêlos de cor branca e os olhos rosados. Sofrem de transtornos visuais, fotofobia (aversão/sensibilidade a qualquer tipo de movimento involuntário dos olhos, estrabismo, podendo chegar á cegueira. A exposição ao sol não brônzea mas causa queimaduras de vários graus. Há uma variação deste tipo de albinismo, tiroxinase positivo, que difere na medida em que, os indivíduos na fase adulta, têm a possibilidade de melhorar a visão.
  • Albinismo Ocular:  Os indivíduos apresentam apenas os olhos afectados, sendo que a cor da íris varia entre azul, verde, castanho claro.
  • lbinismo Parcial: Os indivíduos apresentam a ausência de pigmentação, provocado por uma alteração no cromossoma X, em zonas bem delimitadas da pele ou do cabelo, sem afectar a visão, nomeadamente a cor dos olhos. Por ser no cromossoma sexual, só afecta homens.

 

Causas da Doença

 

As causas do Albinismo variam de caso para caso, assim como a intensidade dos seus efeitos.

Geralmente o Albinismo é causado por falhas aleatórias ou herdadas  num ou mais genes que regulam a produção de melanina (proteína responsável pela pigmentação e a primeira protecção do corpo contra os raios ultravioletas).

Uma pessoa pode ser portadora do gene que causa a doença e não ser Albina. Contudo, na fecundação, se os dois genes que contem a mutação se juntarem, as células do bebé em formação não são programadas para produzirem melanina. Ou seja duas pessoas com o gene da doença, mas não sendo albinos, poderão eventualmente ter filhos albinos.

 

Transmissão/Hereditariedade

 

O albinismo é hereditário e está condicionado a um gene pouco comum que gera certas características físicas e que tem carácter recessivo, não aparece em todas as gerações. Estima-se que uma em cada 17.000 pessoas é albina. A incidência do Albinismo é mais comum nos povos africanos.

Quando um dos pais possui o gene recessivo do albinismo, existe a probabilidade de transmissão de 25% em cada gravidez. De cada quatro filhos, um pode apresentar a doença. No entanto, no caso do nascimento de filho saudável, há 50% de possibilidade de ele ser portador do gene e gerar filhos com albinismo.

 

Consequências do Albinismo

 

As pessoas que são afectadas por esta mutação genica que provoca Albinismo tendem a ter uma maior probabilidade de sofrerem de cancro da pele ou de cegueira. As pessoas ou animais que sofrem da doença têm muito pouco ou mesmo nenhuma pigmentação nos seus olhos, pele ou cabelo. Os cabelos ou são totalmente brancos ou de um amarelo muito pálido, na sua visão a íris é extremamente clara podendo os olhos chegarem a ser rosados, o que provoca uma grande dificuldade de visão em lugares bastante luminosos, sendo obrigados a usarem óculos escuros e graduados devido à sua sensibilidade à luz.

A pele dos albinos, sendo muito clara devido à carência de melanina, com a radiação solar pode vir a desenvolver cancro de pele caso os doentes não estejam devidamente protegidos com protector solar ou roupas adequadas. Pois a exposição solar não produz o efeito bronzeador, mas sim queimaduras de graus variados.


 Sintomas


  • Pele pálida, cabelo branco e olhos cor-de-rosa;
  • A visão é afectada;
  • Sensíveis ao sol e por consequência queimaduras solares que podem desencadear um cancro na pele, devido à inexistente melanina que protege a pele.

 

Tratamento

 

Quanto ao tratamento desta doença, não se encontram muitas alternativas relativas à cura do Albinismo. Está na consciência de cada pessoa que sofra de Albinismo prevenir-se em relação à sua exposição solar.

Apesar disto, a terapia genética abre uma possibilidade para os portadores do albinismo. No futuro, estes pacientes poderão receber os genes que faltam a suas células "pigmentadoras", em prol da recuperação da capacidade de sintetizar a melanina

 

 

 

Curiosidades sobre o Albinismo

 

Sabia que:

 

  • O albinismo também se manifesta em animais e plantas?

Os animais albinos, por norma, não sobrevivem muito tempo no seu meio natural em virtude da sua debilidade em relação aos raios solares e ainda porque a falta de coloração revela-os facilmente, quer para as suas presas, quer para os seus predadores. Esta mutação ocorre principalmente em cavalos, porcos, peixes, tubarões, tigres, coelhos e ratos.

  • O albinismo pode afectar insectos?

O albinismo afecta todos os seres vivos, inclusive insectos, como este mosquito.

  • Os tecidos internos do corpo de um albino são brancos?

Até mesmo o cérebro e a espinha dorsal são totalmente brancos num albino, enquanto que nas pessoas comuns são escuros.

Nas plantas, consiste na diminuição ou ausência total do caroteno, substância que dá cor à clorofila. O albinismo parcial produz manchas alvas em fundo verde, e corresponde à chamada variegação (cores alternadas). Neste caso, o vegetal torna-se ornamental graças à beleza que adquire.

 

 

Em suma, o Albinismo é uma mutação que condiciona gravemente o dia-a-dia dos que sofrem da doença, impedindo-os de lidar com a exposição solar, que embora em excesso seja prejudicial, é-nos necessária. Podendo também deste modo causar danos no organismo, como o cancro da pele, que poderão inclusive levar à morte do doente em questão.

 

 

 

 Maria Domingues

Nº19

11ºB

 


Publicado por mel às 14:30:22 - Sem comentários

25 October

Retinopatia Pigmentar - Doença Genética

 

O que é retinopatia pigmentar?


  A retinopatia pigmentar é a doença hereditária degenerativa da retina, mais frequente no mundo inteiro. Estima-se em cerca de um milhão e meio o número de pessoas atingidas por esta doença. O termo "retinopatia" quer dizer lesão da retina e "pigmentar" descreve o aspecto de pigmento encontrado na retina das pessoas afectadas. A retina é uma estrutura muito fina que reveste o olho por dentro. Ela é constituída por vários tipos de células. As que recebem o estímulo luminoso são os fotoreceptores. Outras organizam essa informação e outras ainda servem de sustentação. Na retinopatia pigmentar, são os fotoreceptores que estão "estragados". Existem duas qualidades de fotoreceptores:

- os cones, responsáveis pela acuidade visual fina, dos pormenores da leitura, e pela visão das cores

- os bastonetes, responsáveis pela visão noturna e pela visão periférica.

   Na maioria dos casos de retinopatia pigmentar são os bastonetes os primeiros a serem afectados, mas com a evolução da doença os cones acabam por degenerar.

Quais são os sinais da retinopatia pigmentar?

 


   O sintoma mais frequente e que aparece mais cedo é a dificuldade de adaptação à obscuridade, às vezes chamada de cegueira noturna. Ela é sentida quando se passa de um ambiente muito iluminado para outro com pouca luz (por exemplo, ao entrar em casa ou no cinema num dia de muito sol). Outro sinal é a diminuição progressiva do campo visual, que pode dificultar a locomoção e orientação ao descer escadas, por exemplo. O campo visual vai-se estreitando pouco a pouco, acabando por ser tubular: só se vê a parte central como quando se olha através de um tubo estreito. Por outro lado, a própria acuidade visual, em alguns casos conservada até tarde, vai progressivamente sendo afectada, assim como a visão das cores.

Que exames permitem confirmar o diagnóstico de retinopatia pigmentar e seguir a evolução da doença?


   O exame capaze de auxiliar a observação clínica nesse caso é o electroretinograma (ERG), que informa sobre a extensão e características da lesão da retina, a perimetria cinética ou estática, que informa sobre o estado do campo visual, e o teste da visão das cores, indicativo da lesão dos cones. A retinopatia pigmentar pode aparecer como uma doença dos olhos ou estar ligada a lesões de outros órgãos. Sendo uma doença que afecta apenas os olhos, pode ser classificada segundo a idade de aparecimento, segundo o aspecto da retina ou segundo o modo de transmissão. Pode também estar associada a alterações de outros órgãos, constituindo síndromes: síndrome de Usher, síndrome de Bardet Biedl, etc.

Como é transmitida a retinopatia pigmentar?


   Podemos encontrar todos os tipos de transmissão hereditária nesta doença. Na transmissão autossômica dominante (AD), a transmissão faz-se de pais para filhos independentemente do sexo. O início é, em geral, mais tardio e a evolução mais lenta e suave do que nas outras formas. Ela é responsável por cerca de 20% dos casos. Na transmissão autossômica recessiva (AR), a doença aparece entre irmãos, nos filhos de casamentos consanguíneos ou em pequenas comunidades endogâmicas, nas quais os casamentos acontecem sempre dentro de um mesmo grupo. Manifesta-se geralmente mais cedo e com uma evolução mais rápida que a anterior. Ela é responsável por cerca de 17% dos casos. Na transmissão ligada ao X (XR), os elementos atingidos numa família são do sexo masculino e ligados entre eles por mulheres condutoras, mas sãs. É menos frequente do que as formas anteriores (13%). Tem início nos primeiros anos de vida e atinge rapidamente aspectos muito graves. Em 50% dos casos desconhece-se o tipo de transmissão.
(Texto retirado da revista Luís Braille número 34 -Setembro de 1999)

          

O que causa a cegueira nocturna?


   A cegueira nocturna é causada pela deficiência da vitamina A, um micro nutriente que desempenha papel essencial na visão, crescimento, desenvolvimento do osso, desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial, processo imunológico e reprodução. Aproximadamente 90% da vitamina A do organismo é armazenada no fígado; o remanescente é armazenado nos depósitos de gordura, pulmões e rins. A deficiência de vitamina A também causa ressecamento da esclera (parte branca) e córnea dos olhos, inflamação da pele (dermatite) e endurecimento das membranas mucosas dos tratos respiratório, gastrointestinal e genito-urinário. O excesso da vitamina causa dor de cabeça, ressecamento da pele com fissuras, perda de cabelos, aumento dos ossos, do baço e do fígado, além de dor nas juntas. A vitamina A é encontrada em alimentos de origem animal (leite, ovos, fígado). Já os vegetais folhosos verde-escuros , vegetais e frutas amarelo-alaranjados possuem carotenóides, que são convertidos em vitamina A pelo organismo.

Trabalho realizado por:

 - Maria Beatriz Sousa Silva

http://saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=1687


Publicado por diogo93 às 09:00:00 - Sem comentários

16 June

Stress 

A epidemia do século XXI

Não sendo um fenómeno exclusivo das sociedades modernas, até porque a todos afecta, é nestas que o stress é mais discutido. Há o stress provocado pelo ritmo da vida moderna, o stress da guerra e da insegurança, o stress do isolamento, o stress do trabalho...

De uma forma genérica, podemos definir este problema como sendo uma resposta do organismo a um esforço físico, psicológico e/ou emocional.

A palavra stress deriva do inglês e refere-se à tensão a que os metais são submetidos para comprovar a sua resistência. Em 1950, um médico comparou esse processo a que se submetiam os metais com a prova de resistência que a sociedade realiza com as pessoas. Considerou que, em determinados momentos de tensão, o stress é um mecanismo que mobiliza todas as reservas do organismo humano, de forma a proporcionar as energias extras de que necessitamos para enfrentar as dificuldades a que estamos sujeitos. O stress não é uma palavra negativa e, mesmo que o termo seja relativamente moderno, o conceito que encerra é tão velho como a existência do Homem na Terra. Sempre existiram mecanismos de defesa contra os problemas ou dificuldades da vida. É a capacidade do indivíduo reagir a certas agressões que faz com que o stress seja algo positivo (um estímulo que incita o indivíduo a superar os vários desafios com que se depara) ou negativo (quando se encontra numa "encruzilhada" e o seu organismo bloqueia, ao sentir-se ameaçado).

Stress1 
Fig. 1 - influência do stress no desempenho do organismo humano

 A predisposição para o stress é frequente em pessoas que:

  • fazem demasiadas coisas em simultâneo;
  • sobrecarregam-se de trabalho;
  • vivem com uma impressão irónica de urgência;
  • comprometem-se com prazos impossíveis de cumprir;
  • ficam demasiado impacientes perante atrasos ou interrupções;
  • não toleram erros (seus e das pessoas que os rodeiam);
  • têm demasiadas exigências familiares;
  • são perfeccionistas;
  • vivem em constante insegurança;
  • vivem com medo de fracassar ou decepcionar os outros.

Causas da doença

Quando atravessamos momentos críticos, o nosso organismo prepara-se para o esforço em poucos segundos e toda a energia disponível acumula-se para poder ser utilizada no momento certo.

Existem células localizadas no hipotálamo capazes de detectar este fenómeno. Estas, quando estimuladas, levam a uma maior libertação da hormona ACTH pela hipófise, a qual é lançada na corrente sanguínea, indo atingir as células-alvo, as células das glândulas supra-renais, que passam a produzir e injectar adrenalina e noradrenalina no sangue. O coração começa a bater mais depressa, aumentando o fluxo sanguíneo, porque há uma maior necessidade de oxigénio. As pupilas dilatam-se, para aumentar a capacidade de percepção. A adrenalina mobiliza o fígado, para que se aproveitem as suas reservas de glicose e a tensão sanguínea aumenta. As reservas de açúcar passam para os músculos, tonificando-os. O pensamento fica bloqueado. Toda a energia disponível se concentra para fazer frente ao perigo.

Sempre que a pessoa se excita, este processo volta a desencadear-se. O problema surge quando existem demasiados estímulos, quando este processo tem de ser desencadeado com demasiada frequência e, em contrapartida, o esforço físico não se realiza e não há dispêndio de energia.

Em suma, podemos dizer que o nosso corpo acaba por se "queixar", porque não conseguimos utilizar a energia que ele disponibilizou.

 Stress2

Fig. 2 - mecanismo originário do stress

Sintomas

O stress, e como outra qualquer doença, apresenta uma série de sintomas associados que, quando tidos em conta, permitem o seu tratamento ainda numa fase inicial e que envolve, assim, menos problemas. Destes sintomas podemos destacar:

  • Doenças psicossomáticas, como dores de cabeça ou cefaleias, sensações de vertigem, prisão de ventre ou diarreia, taquicardias e contracções musculares;
  • Disfunções do sistema hormonal;
  • Estados de irritabilidade, nervosismo, com repentinas alterações de humor, impaciência e insatisfação pessoal, atitudes irascíveis, agressividade, abatimento e falta de incentivo;
  • Cansaço físico, do qual não se recupera mesmo após uma boa noite de sono, fadiga permanente, dificuldade na conciliação do sono, esgotamento.

É de salientar que embora todos estes sintomas podem ser indicadores do desenvolvimento de stress, é recomendável consultar o médico para verificar se eles não correspondem a outra doença.

Stress3Stress4

Fig. 3 e 4 - situações ilustrórias de pessoas que sofrem de stress

O stress "arrasta" ainda consigo uma série de consequências desagradáveis:

- aumenta o ritmo cardíaco, pressão sanguínea e adrenalina, o que conduz a uma vasoconstrição das artérias e veias;
- daí resulta um pobre fornecimento de oxigénio às células, o que leva à produção e acumulação de ácido láctico nas células musculares e a uma diminuição do tónus muscular, assim como a um decréscimo do raciocínio, tornando-o errático e aumentando a fadiga e a ansiedade;
- a tensão nervosa aumenta e com ela a irritabilidade que vai gerar ainda mais "stress".

Para conhecer os 10 mandamentos a ter em conta para a prevenção do stress, consulte o seguinte site:

http://aeiou.expressoemprego.pt/scripts/indexpage.asp?headingID=4457 (informação em português)

Pedro Faustino

nº21       10ºB


Publicado por vhony às 00:12:32 - Sem comentários

14 June

Álcool e os seus efeitos

Como se forma o álcool?

As leveduras são fungos. Apresentam-se caracteristicamente, sob forma unicelular. Como células simples, as leveduras crescem e reproduzem-se rapidamente e são bastante eficientes na realização de alterações químicas, por causa da sua maior relação área/volume.

 

 

um tipo de levedura

 

As leveduras desenvolvem-se em meios ricos em açucares. Para obterem energia utilizam um processo simples mas  rápido de produção de energia ( em anaerobiose) - a fermentação.

A fermentação tem 2 etapas:

  • Glicólise: reacções que degradam a glicose transformando-a em ácido pirúvico, com a produção de 2 ATP's e 2 NADH
  • Redução do piruvirato: Realiza-se pela acção do NADH  e pode originar diferentes tipos de produtos, como o álcool.

Os diferentes tipos de bebidas alcoólicas são obtidos a partir de diferentes matérias primas. O vinho produz-se a partir da fermentação de uvas, a cerveja a partir de cevadas e bebidas brancas como o whisky ou a vodka a partir de cevada, milho, trigo, centeio, entre outros. 

 

Os efeitos do álcool no cérebro

O cérebro controla todo o nosso corpo. A informação circula no cérebro de neurónio para neurónio através de sinapses.

Os neurónio são contituídos por 3 partes:

  • Dendrites : conduzem os estímulos provenientes do ambiente ou de outras células nervosas até ao corpo celular.
  • Corpo celular : conduz o estímulo desde a dendrite até ao axónio.
  • Axónio:  transmite os impulsos nervosos provenientes do corpo celular.

 

 

 

Os impulsos nervosos são transmitidos de neurónio em neurónio através de estímulos electroquímicos, as sinapses. Existem 2 tipos de sinapses; as químicas e as eléctricas.

 

  • Sinapses eléctricas: São menos comuns. Permitem que o impulso se propague mais rapidamente. O potencial de acção propaga-se directamente entre neurónios sem a intervenção de neurotransmissores devido à existência de pontos de contacto entre as membranas das duas células.

 

  • Sinapses químicas: Entre o axónio e a dendrite existe uma fenda- a fenda sináptica. Os neurotransmissores são transportados em vesículas até ao axónio. Quando o estímulo chega ao axónio, as vesículas fundem-se neste, libertando os neurotransmissores para a fenda sináptica. Os neurotransmissores ligam-se, assim, à dendrite da célula seguinte. É deste modo que o impulso nervoso é processado através dos neurónios, com a finalidade de movimentar os nossos músculos.

 

http://www.cerebromente.org.br/n08/doencas/drugs/legen2.jpg
Sinapse química normal.

 

As pessoas quando bebem têm problemas com o equilíbrio, coordenação e formulação de juízos, além de reagirem mais lentamente a estímulos. Todos esses sinais físicos ocorrem devido à forma como o álcool afecta o cérebro e o sistema nervoso central.

O álcool afecta a química do cérebro, alterando os níveis de neurotransmissores. Neurotransmissores são mensageiros químicos que permitem a transmissão dos sinais eléctricos através do corpo. Os neurotransmissores são excitatórios, o que significa que estimulam a actividade elétrica do cérebro, ou inibitórios, quando a reduzem. O álcool inibe o neurotransmissor excitatório glutamato, suprimindo os efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico.

O álcool aumenta os efeitos do neurotransmissor inibitório GABA (ácido gama-aminobutírico) no cérebro, dificultando a despolarização e consequentemente tornando o fluxo nervoso mais lento. A inibição dos neurotransmissores GABA causa os movimentos lentos e a fala enrolada que frequentemente se observam nos alcoólatras.

Finalmente o álcool aumenta também a quantidade de dopamina no sistema nervoso central, o que resulta nas sensações de prazer.

 

Sinapse quimica com intervenção do etanol

 

Diversas partes do cérebro são afectadas pelo álcool:

  • Córtex cerebral: nesta região dá-se o processamento de pensamentos e a consciência. O álcool afecta os centros de inibição de comportamento, diminuindo a inibição, e atrasando o processamento de informações dos olhos, ouvidos, boca e outros sentidos, além das funções cognitivas – tornando-se difícil pensar claramente.
  • Cerebelo: o álcool afeta o centro dos movimentos e do equilíbrio.
  • Hipotálamo e hipófise: coordenam as funções automáticas do cérebro e a liberação de hormonas. O álcool deprime os centros nervosos do hipotálamo, que controla os estímulos e a performance sexual.
  • Medula: essa área do cérebro é responsável por funções automáticas como respiração, consciência e temperatura corporal. Ao atingir a medula, o álcool provoca o coma. Caso a quantidade seja suficiente pode diminuir a frequência respiratória e baixar a temperatura corporal levando à morte.

 

Efeitos do álcool no corpo

Uma vez absorvido pela corrente sangüínea, o álcool é expulso do corpo de três formas:

  1. Pelo rim que elimina 5% do álcool na urina;
  2.  Pelos pulmões que expelem 5% do álcool pela respiração (é por isso que se faz o teste do balão)
  3.  Pelo fígado que quebra quimicamente o álcool restante em ácido acético.

Após ser ingerido, o álcool, é absorvido no intestino e entra na corrente sanguínea. A absorção dá-se 5 a 15 minutos depois  da ingestão caso não haja alimentos no estômago e 30 a 60 minutos depois da ingestão se for ingerido durante a refeição.

Uma vez na corrente sanguínea o álcool passa pelo fígado onde é metabolizado.No fígado o álcool sofre uma série de reacções químicas, sendo primeiro transformado em acetaldeído, uma substância tóxica, responsável pela “ressaca”. Esta substância transforma-se em acetato sendo libertada através da urina.

O organismo processa o álcoool muito lentamente, eliminando, em média, 10g/l de álcool do sangue por hora. Assim, uma pessoa que tiver uma taxa de alcoolemia de 0.5g/l, precisa de 5 horas para atingir uma alcoolemia de 0,0g/l.

 


Publicado por Riii às 17:14:32 - Sem comentários